Vânia Moreira Diniz |
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Infração Gloriosa do herói Romário
(Vânia Moreira Diniz)
Só gostava de futebol quando era muito pequena. Mas posso dizer que acompanho
uma partida de futebol, entendendo cada detalhe. Apenas não gosto de assistir
a não ser em copa do mundo na qual vibro intensamente e pulo e grito a
cada gol realizado.
Mas não pude deixar de ficar emocionada na última partida de Romário
com quem não tinha grandes afinidades. No entanto o fato de ser seu último
jogo internacional me prendeu à telinha da televisão.
E quando levantou a camisa, depois do gol, pude ver escrita a frase que me comoveu
profundamente "Tenho uma filha com síndrome de down que é
uma princesa" Pena que o Juiz ou por falta de sensibilidade ou por nem
ter tido a curiosidade de ler o que ele mostrava às multidões ou
ainda por rigidez às regras do jogo não tenha percebido o gesto
sublime do jogador.
Admirando ali aquele profissional do futebol, emocionado enquanto a bandeira do
Brasil era hasteada, mal contendo as lágrimas, esqueci certos atos que
ele cometera ou mesmo às vezes em que o julgara por demais pretensioso.
Na verdade quem for livre de qualquer vaidade que atire a primeira pedra. Muitas
vezes o vira responder de modo nada delicado, mas jamais saberemos as razões
dos atos das pessoas, o que se passa interiormente. Isso ninguém jamais
poderá entender em profundidade. Olhemos primeiramente para os nossos próprios
defeitos e talvez possamos entender o do nosso próximo.
No entanto quando vi o seu gesto misto de orgulho e intenso amor mostrando o que
estava escrito na camisa mesmo que ele tenha cometido alguns atos incompreensíveis
como todo ser humano tudo foi redimido. Redenção completa de um
pai a se orgulhar de sua filhinha que geneticamente nascera diferente de muitas
outras pessoas para a qual ele transmitia seu amor profundo e dedicava a ela o
gol que acabara de fazer, comemorando a vida, a ternura, a inclusão nesse
gesto de muitas vidas e afastando os terríveis preconceitos.
Oxalá todos nós mesmo com risco de ser punidos, levantássemos
nossas blusas no supremo momento de uma vitória lembrando e enaltecendo
a própria filha e dando provas de seu humanismo e ausência de tristes
convencionalismos.
Nesse instante difícil que lutamos a favor de todos os nossos irmãos,
quando vemos a intolerância de um mundo que ainda não compreende
a igualdade, quando sentimos que as reações ainda se fazem impertinentes,
quando nos revoltamos ao sentir a empáfia de muitos a qualquer tipo de
diferença, o gesto de Romário sensibilizou, e nos trouxe lágrimas
que jamais esqueceremos. Gesto tão simples e tão maravilhoso, refletido
no rosto cheio de emoção no último dia de seu jogo internacional
e demonstrando o quanto muitos brasileiros como eu fomos injustos com atitudes
que julgamos presunçosas. Um dos maiores jogadores brasileiros, mostrando
ao mundo não apenas seu glorioso talento, mas acima de tudo isso a força
de seu caráter, o gesto de carinho intenso e a nobreza de seus mais recônditos
sentimentos. O Brasil venceu, não só pelo placar, mas porque no
último jogo, Romário mostrava ao mundo o mais belo gesto já
visto num jogo de futebol.
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