Fanatismo, ufa...
(Taís Luso de Carvalho)
Ele resolveu criar o Universo: criou o céu, a terra e os demais sistemas.
Criou a grande estrela com luz própria; o sol. E longe do sol candente,
criou uma lua branca e fria, porém, misteriosa e romântica.
Criou, também, o mar, os peixes e os pássaros. Mas até
aí tudo perfeito e harmonioso. A tragédia começou quando
Ele resolveu ser mais generoso e criar algo que fosse a Sua imagem e semelhança;
e criou o homem, presenteando o mundo com Adão e Eva.
Após esta magnífica inspiração, cá estamos
nós, supostamente descendentes do tal do casal e, de tão agradecidos
que ficamos, não deixamos por menos: crucificamos o 'homem' - o criador
da espécie.
Porém, nada adiantou tal atrocidade de nossa parte ou sacrifício
da parte D'Ele, pois, séculos se passaram e aqui estamos cada vez piores,
mais loucos do que nunca. Mas algo de especial ficou para dar continuidade na
obra do criador: foram surgindo as Marias, as Teresas, as Ritas... Enfim, as
beatas com os seus devidos nomes de santas. Todas empenhadas em exaltar o nome
do Senhor. Mas existem certas Marias, Ritas ou Teresas que são extremamente
chatas. Deixam uma impressão de que o mundo vai acabar amanhã,
tamanha insistência em catequizarem.
Penso que temos esclarecimento, suficiente, para sentirmos o que é bom
pra nós. Não importa o caminho, o que importa é a fé.
Essa coisa de sair catequizando é tão desagradável... Vejo
muito fanatismo, intolerância e intromissão na vida das pessoas
que talvez nem tenham pensado em seguir essa ou aquela religião ou seita.
Parece uma lavagem cerebral. Concordo com tal doutrinação quando
a criatura pede, procura.
Dias atrás presenciei duas amigas conversando sobre religião:
caí fora. A conversa começou com o Antigo Testamento, passou pelas
Profecias Apocalípticas, abordaram temas como a morte, catástrofes,
doenças e castigos divinos com tanta naturalidade que fiquei em depressão!
Não sou amarga nem descrente, mas não quero saber de doutrinas,
testamentos, das Profecias de Isaias ou mesmo intimidades com o Armagedon. Quando
chegar o Apocalipse (flagelo terrível), veremos. Ou melhor, acho que
nem veremos!
As pessoas precisam falar é de vida, de projetos, rir, brincar e comer.
Comida. De pesado chega esse Congresso lá de Brasília que temos
de carregar nas costas... Mas rezar tanto não tira barriga da miséria.
Só dá esperança.
A coisa já está muito enfadonha, a luta pela sobrevivência
é grande e, ter de ouvir, sobre castigos divinos, pecados, inferno, revelações
terríveis sobre o destino da humanidade...
Acho que chega: se alguém tiver de rezar terá de ser por um prato
de arroz com feijão, carne e um monte de batatas fritas. E se ainda der,
uns dois ovos estrelados. O resto Deus pode dar uma mãozinha de onde
estiver. E vamos levando...
Mas, santas, dêem liberdade para as criaturas escolherem seu caminho!
A religião que fizer o bem, que estiver cumprindo seu papel, dando conforto
e paz... Tá ótimo!
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Publicado em: 01/11/2007 |
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