A Garganta da Serpente
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Baratas - o terror das mulheres!
(Taís Luso de Carvalho)


Faz muito tempo que me pergunto por que será que as mulheres têm esse medo mórbido por baratas? Por que trazemos essa doença, essa loucura que não conseguimos dominar e carregamos por toda uma vida?

Chega um dia que nos livramos de TPM, das enxaquecas, enfrentamos doenças na família, lutamos como bravos soldados, escalamos o Alasca, nos atiramos de pára-quedas, enrolamos o pescoço com cobras, enfrentamos o Congresso Nacional, ou até fazemos daquilo lá, "Dança de Salão..." Nossa! Enfim, enfrentamos tudo e a todos. Porém, não conseguimos nos livrar do medo de baratas!

A gente grita, mata, faz escândalo e a vizinhança fica a pensar que é o maior quebra pau com o marido -, e não estamos nem aí. O importante é a barata!

Falando em mim, sei que jamais deixarei de ser escandalosa ao avistar esse bicho, por mais longe que esteja. Mas, perdão... Sou assim só dentro de minha casa; em território alheio sou normalzinha; fujo.

Há uns meses, comprei um armário para cozinha, estilo antigo, cheio de gavetinhas, dobras e dobraduras. Mas este armário estava me deixando um pouco fora de minhas faculdades normais, uma vez que, todo o dia aparecia nas gavetas aquelas "coisas pretas" que elas costumam deixar por onde passam...

Devia ser uma hora da madrugada e eu já estava deitada. Meu filho me cutucou no pé avisando, através de mímica, que na cozinha tinha uma barata do tamanho de um elefante. Arregalei os olhos e saí da cama sem fazer ruído. Devo sofrer de uma patologia em relação ao bicho; meu marido odeia! Acho que ele passou a 'gostar' de barata devido aos meus escândalos... Fechamos a porta da cozinha e fomos à luta. Começamos a rir, mas cientes de que estávamos histéricos. Desesperados. Tenho consciência que traumatizei meus filhos, quando pequenos.

Procuramos por tudo: nada! Barata é assim: ela conhece nosso ponto fraco, sabe que ficamos transtornados com sua maneira típica de se meter nos cantos onde não cabe uma faca, um objeto mortal. Enfiei minha cabeça - corajosamente - dentro do armário, tirei as gavetas, os talheres, os pratos... tudo! E continuamos no "nada". Desistimos. Quase enfartei, fiquei com a impressão de que o bicho estava nos meus cabelos... Comecei a me escabelar e meu filho não sabia se procurava a barata ou me dava uma assistência psiquiátrica, estilo "pinel". Prontamente tomei um calmante e fui dormir, mas ciente que no dia seguinte teria mais guerra.

Na manhã seguinte, bem cedo e sem alardes começamos o que havíamos combinado: Alexandre e eu desmontamos a cozinha; iniciamos a busca.

Já estava com o spray na mão, mas como meu filho tem asma, fiquei com medo de matá-lo e a barata continuar viva.

Mas o bicho estava lá! As provas eram evidentes.

Pensei, pensei... E veio a luz!

Peguei uma lanterna e um espelho; coloquei o espelho de uma maneira que refletisse os cantos das gavetas que davam pra frente e iluminei o espelho com a lanterna: não era uma: era um monte! Um monte de baratas cochichando no canto! Como matá-las? Uma a uma... JAMAIS! E quebrei o silêncio dando início a uma gritaria nunca vista.

Apareceu a vizinha do andar; Alexandre tinha colocado dois chumaços de algodão nas narinas para não aspirar o veneno. E foi abrir a porta...

- Nossa... o que houve com seu nariz?

- Agora não dá, vizinha... Mas está tudo sob controle, fique tranqüila...E fechou a porta na cara da coitada. O clima não estava propício para perdermos tempo com explicações.

Estávamos histéricos; mas acredito que os bichos estavam piores. Subiam pelas laterais do armário, corriam pelo chão...E nosso cachorro entrou na confusão! E veio o zelador e mais outra vizinha... Devo ter dito algo sem nexo, eles desapareceram.

Porém logo começou a alegria; foi um banho de spray! Que delícia ver aquelas baratas correndo desatinadas. Senti-me livre de minha fobia, doença, psicose, Hitchcock, sei lá... Não importa o nome.

Mas... Até quando me sentirei em paz? Li, há pouco tempo, que as baratas seriam as únicas criaturas que sobreviveriam a uma bomba-atômica. Com essa notícia dei uma piorada... Acho que é um problema universal e deveria ser tratado com seriedade pela ONU, pela OMS preservando a saúde (mental) da mulher. É uma coisa que não se entende muito bem: temos essa fobia incontrolável, mas partimos pro ataque! Lutamos com medo e por medo, mas não desistimos da vítima.

Mas por certo haverá alguma alma generosa que entenderá que isso faz parte do universo e do mistério feminino!

Compreendam-nos, por favor!

  1025 visitas desde 4/04/2007 Publicado em: 04/04/2007  

   
 

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