A Garganta da Serpente
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Géber Romano Accioly saiba mais sobre o autor

Divinizações personificadas
(Géber Romano Accioly)

Observar o relacionamento das pessoas entre si e o relacionamento das pessoas com as forças naturais fascina.

Os fenômenos causados por forças naturais são algo que desde os primórdios da raça humana têm suscitado controvérsias e cada pessoa, ou grupo, ou sociedade procura explicar da melhor maneira, mas sempre como algo sobrenatural ou pelo menos movidas por algo sobrenatural. O que não entendem e de certo modo causa-lhes temor procuram sempre divinizar.

Quando o nosso ancestral mais remoto sofria o impacto de uma tempestade com ventos fortes, chuvas, raios e trovões por certo ele atribuía àquele evento causas sobrenaturais e estas causas por falta de uma explicação mais racional, foram divinizadas. Até aí tudo bem, pois predominava o mítico. O animismo, sistema que atribui alma a todas as coisas e fenômenos naturais, capazes de agir conforme uma finalidade foi tomando vulto.

Posteriormente, no período místico, estas "divindades" foram deixando de ser tão atemorizantes, em virtude de avanços tecnológico e científico, podendo ser personalizadas. Estas personificações foram possíveis tendo em vista comparações com atividades humanas: raios e trovões tempestuosos a fagulhas e ruídos produzidos na forja de um ferreiro, por exemplo.

Esta "divindade" finalmente personificada não perde suas proporções divinas. O simples mover de uma saia podia agitar os ventos; o brandir de um machado produzia raios e trovões; um esguicho de leite podia criar uma galáxia. Complicado, mas "racional".

Um pouco mais adiante os ancestrais notáveis foram sendo paulatinamente transformados em divindades que dominavam todas as coisas e produziam os fenômenos naturais. Esses ancestrais divinizados necessitavam de oferendas em forma de alimentos para se manterem e presentes para serem aplacados quando se irritavam. As virtudes e os defeitos humanos foram sendo agregados às divindades a ponto de elas se confundirem com pessoas normais.

As divindades de todas as seitas e/ou religiões se personificaram e se mesclaram as outras divindades com maior número de seguidores. Sincretismo era a palavra de ordem. O "adapta-te ou morre" darwiniano foi largamente usado. O ser humano deixou de ser mítico, ou místico para ser fiel. Fiel ou adepto de uma modalidade de crença.

Modernamente arremedos "tradicionais" das religiões animistas proliferam em todos os cantos da Terra. De esquina em esquina se encontram deuses/santos/gênios/ intervindo no dia-a-dia das pessoas ajudando-as até a atravessar ruas e avenidas ávidos por oferendas/preces/mantras transformados em reais.

A mim, muito me entristece a exemplo das religiões "cristães" caça-níqueis televisivas, ver pela web "sacerdotes" de cultos animistas fazendo consultas divinatórias e prescrevendo "presente aplacadores(=aplicadores)" mediante depósitos bancários... Triste, triste mesmo.

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