A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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AOS MEUS VELHOS AMORES

(Olympia Salete Rodrigues)

Vocês sabem, meus velhos amores, que eu sempre bato um papinho com cada um de vocês. Sempre em forma de poesia, como tanto gostamos. Tenho certeza de que cada um se reconhece, se me lê. Alguns, infelizmente, perderam contato. Mesmo assim eu não perdi contato com a lembrança de nenhum.

Hoje estou aqui para agradecer a cada um de vocês pelo que tiveram ou ainda têm a ver comigo. Tenho pensado muito em todos vocês nestes últimos tempos. Recordo nosso tempo juntos, tanto os momentos de alegria como os de dor. Claro que os tivemos e valeu sempre a pena tê-los vivido intensamente. A perda de cada um sempre foi melancólica, o fim de um relacionamento nunca foi divertido e nos fez sofrer. Mas o tempo amenizou tudo para mim e, certamente, também para vocês. Nunca nos arrependemos de termo-nos encontrado, isso é bem certo. E fica comprovado por todos que ainda me encontram, alguns voltando muito tempo depois para matar saudades e para rir comigo das nossas venturas e desventuras. Apesar dos desencontros, nada de mágoa guardo em mim. Cada um tem um lugar em meu coração. Eu costumo dizer que este meu coração deve ser uma divertida suruba... imagina, todos lá dentro, convivendo diuturnamente... Cuidado, meninos, respeito é bom e eu gosto... rs... Nunca joguei fora os bons momentos da gente, as lembranças gostosas. E tanto os dias de paz como os de briga ferrenha me ensinaram tanto a amar e a viver, que estou aqui para agradecer a cada um por ter sido o que foi e pelo que deixou em minha vida.

E o motivo desse agradecimento é especial. Ultimamente minhas reflexões têm me levado a rever essa vida, o caminho difícil que escolhi e enfrentei, entre vitórias e derrotas. Concluí que tudo pode ser englobado como vitória pelo simples fato de que cada amor vivido me ensinou a amar melhor. Hoje eu vivo um amor que é melhor, com certeza, porque é a soma de tudo que aprendi em cada braço que me abraçou. A principal lição que aprendi é que cada amor vivido nos prepara para o próximo amor, que não existe o "solamente una vez", que não posso viver sem amar. Creiam, todos me ajudaram nessa aprendizagem. Nunca me arrependi de ter aberto meus braços, de ter entregue meus beijos, de amar e ser amada. O amor que nos demos certamente atua em vocês como atua em mim. E as juras que fizemos valeram para a vida porque foram sinceras enquanto vigoraram. Nenhum sorriso foi falso e nenhuma lágrima derramamos em vão. Cada momento, cada gesto, cada carinho, cada palavra, cada encontro e cada despedida fazem parte de nós e nos marcou para sempre. Juntos construímos uma história que nunca se apagará na grande história que vivemos depois da separação. Por isso nada temos a lamentar, só temos a agradecer e lembrar sempre.

E agradeço aqui a cada um, saiba eu, ou não, onde está. Juntos vivemos um amor e hoje sabemos que cada um de nossos amores nos preparou para o amor que veio depois. O que nos pareceu triste foi apenas uma difícil mas excelente lição de vida. E a gente foi treinando... rs... para nos aperfeiçoarmos na arte de amar. Desejo ardentemente que vocês tenham aproveitado disso como eu aproveitei. Claro que ninguém se diploma no amor e sempre que amamos reconhecemos essa verdade. Mas eu posso afirmar que a cada experiência me vejo melhor, mais madura, mais aberta e compreensiva, assim como muito mais humilde também. E por isso me sinto vitoriosa no amor que vivo hoje e que acredito ser definitivo. E desejo ardentemente que cada um de vocês estejam experimentando a paz que experimento neste amor que me parece um arremate de tudo que amei em minha vida, da qual vocês fazem parte.

A todos o meu carinho de sempre e uma grande saudade que não mais judia.

Ao meu amor de hoje, que participa da minha vida inteira, entrego o tudo que sou: uma soma de amores que em mim se tornaram encantados, vivem ainda e viverão enquanto eu viver. E que ele seja o meu tão esperado diploma!...


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