A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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A CULPA É DA ELISA...

(Olympia Salete Rodrigues)

A culpa é da Elisa... Elisa... (eu não fumo maconha não, é o sobrenome dela que é de lascar... mas vou tentar) Reifschneider. Saiu!! Não pensem que escrevi de memória, não, fui lá na página dela, copiei, colei...

A coisa é a seguinte: ando com a cabeça meio pancada, esqueço tudo, nomes, sobrenomes, caras, coisas. Esqueço até de tirar do freezer o que vou cozinhar, lembro só quando a fome aperta. Mas nem a fome funciona sempre, que até de comer esqueço. Dia da semana? Não, nunca sei, ou melhor, sei sempre, mas tá errado. E não aceito discussões. Tem coisas que não posso perder. Sabendo disso, pego a coisa indispensável, boto num determinado lugar e penso "vou botar aqui para não esquecer". É batata: quando preciso da coisa, nunca sei onde a coloquei.

Isso se repetindo todo dia, toda hora, vai dando nos nervos. Comecei a achar que ia perder de vez a memória, mas isso ainda não aconteceu. Depois achei que estava ficando gagá, sabe... a idade não tá chegando, já chegou há muito tempo. Depois encontrei o caminho mais certo: entrei numa depressão de dar pena. Pena de mim ninguém tem, mas eu tenho. Nada mais me alegrava, parei de escrever, ouvir música nem pensar, comecei a dormir feito doida, de dia, de noite, sem hora nem lugar. Dei todo apoio à depressão e acabamos por nos entender tão bem que parecia já que uma não conseguiria viver sem a outra. Verdade, eu ficava deprimida só de pensar em perder a depressão, ou me esquecer dela.

Foi aí que aconteceu. Entrei no Site Usina de Letras e fiquei rodando lá, página de um amigo, página de outro amigo, página inicial para ver quem estava publicando o quê. Caí numa crônica com nome chamativo: "Campos de morango para sempre", não conhecia a autora, essa Elisa... Elisa... (ai... vocês sabem, né?). Como gosto de morango, resolvi ler. No começo vi que era sacanagem, não tinha nada a ver com morangos vermelhinhos, madurinhos, deliciosos. Só falava de stress. "E eu lá tenho que ler sobre stress, coisa besta e chata que já tenho de sobra?" De repente, um susto: me surpreendi rindo feito doida varrida. Aí constatei: "é a loucura, eu não disse?, a loucura se instalou, já estou rindo incontrolavelmente...!" Mas, como achei um barato rir daquele jeito, irresponsável que sou diante da fidelidade incontestável da minha depressão, tive a idéia de procurar a página da Elisa e pensei: vou ler suas Crônicas. Pois acabei lendo tudo, mas tudo mesmo. Ri bastante, me comovi também. E estou até com vontade de dizer a quem me lê: "Gente, vale a pena. Quem não a conhece não deve perder tempo!" Corram lá. Copiem o sobrenome dela (que escrever de cabeça ninguém agüenta) letra por letra e corram para a Busca."

E aqui estou escrevendo, fazendo esta propaganda sem interesse nenhum (não digo que sou mesmo uma alienada?). Agora, acabando este texto, estou me perguntando o que quer dizer esse riso besta plantado na minha cara... Será o riso alvar dos alienados? Socorro! Socorro de novo! Olho para todos os lados e não a vejo... Onde se enfiou minha companheira? Cadê a minha depressão? Ajudem-me todos. Estou desesperada, tenho que encontrá-la. Desisto, sei que ela se foi, não suportando a minha ingratidão.

E a culpa é da Elisa... Elisa... isso mesmo que vocês já sabem... E ela, a vilã, ainda vai faturar leitores às minhas custas!

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