| Josué Mendonça |
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Em manutenção
(Josué Mendonça)
Joaquim estava no chão naquela noite. Meteoritos vindo de galáxias
distantes pousaram em sua cabeça e ele entregou-se ao chão. De
onde vinham aqueles meteoritos? Joaquim não sabia, apenas sentia a dor,
as dores em sua cabeça que lhe tirariam o sono naquela noite. Levantou-se,
entrou e saiu do quarto algumas vezes e não acharia sentido nem direção
naqueles instantes. Perdido, procurava nas estrelas e constelações
os reais motivos para tanta pedrada. Joaquim havia
falhado e o universo havia o punido com meteoritos na cabeça que o deixariam
tonto por algumas semanas. Joaquim não interpretaria a matemática
da vida, nem dos astros, nem do cosmos durante aqueles dias. Apenas comprimia-se
na dor que lhe consumia a cabeça. Joelhos no chão, suor. Olhos
boiando em fina película de lágrima que não transbordava.
Comprimia-se em sua dor. Joaquim buscava cometas que o pegassem e o levassem
para qualquer galáxia distante, muito distante. Joaquim perguntava-se
porque estava ali, porque justamente em sua cabeça, porque novamente.
No chão, Joaquim não se sentia nem lixo, que tinha um destino,
a lixeira. Joaquim precisava reconstruir-se... Uma vez havia milagrosamente
renascido das cinzas. E agora? Joaquim olhava para as cicatrizes, olhava pra
frente, olhava pra si. Os olhos comeriam qualquer imagem que elucidasse a razão
de tantos meteoritos em sua cabeça durante tantos anos. Abraçou-se
a si. Compreendeu-se a si. Mas não bastava compreender, precisava mudar.
Joaquim precisava mudar e sua luta era, foi e seria mudança sempre. Joaquim
entendia agora Juliana que caminhava sobre pedras e deu-lhe as mãos.
Joaquim e Juliana andavam agora de mãos dadas sobre pedras com meteoritos
caindo do céu sobre suas cabeças...
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