A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Humildade

(Jorge Humberto)

Quem é humilde colhe os bons frutos de sua humildade, porque o faz com generosidade e altruísmo na sua boa humanidade. Joga à terra o pomo com todo o carinho para colher mais à frente a semente do bom senso e cuidado extremoso. Quando se é humilde passa-se uma mensagem de bem-querer que os outros vão recepcionar e compreender como uma boa missiva que se escreveu. Ser humilde é ser compreensivo e saber escutar os outros como um bem comum.

É vulgar a uma pessoa humilde ser flexível e acatar os conselhos dos outros pois isso em nada a faz diminuta ou menos valorosa, antes a torna enorme aos bons olhos dos demais que com ela convivem.

Nasce-se ou torna-se humilde na vivência e aprendizado do dia-a-dia, como um bom aluno apreende o que lhe é transmitido pelo mestre.

Quem é humilde em nada é medíocre ou menos do que os outros apenas constata um facto de sua personalidade comedida, por conseguinte é uma pessoa enorme.

Saber ouvir é um factor de humildade que só as pessoas generosas partilham como um bem maior. Humildade é a negação da hipocrisia e da mentira e não suporta a estes dois impostores.

Saber doar é um compromisso que toda a pessoa humilde sustenta e aperfeiçoa como o bem pouco que lhe resta. Saber sorrir quando as coisas não correm de feição é o causador de uma pessoa que faz de seu ser humilde seu habitat natural.

Ser humilde é a perfeição das perfeições que o universo concedeu ao ser humano.

Quem assim actua nunca se zanga nem usa de palavrões nas conversas tidas com os outros, normalmente atenua a irritabilidade dos demais e é interlocutor assumidamente activo e participativo.

Ser humilde e usar da humildade não significa acatar a agressão verbal, mas perante os factos saber rodear a infracção com paciência e naturalidade. Quem é

humilde é feliz e faz transparecer essa humildade diante dos outros que com ele

partilham os momentos mais ou menos íntimos, de sua personalidade. Humildemente prazerosas estas pessoas são sempre muito honestas para consigo próprias e fazem disso o seu brasão pessoal, como uma bandeira bem hasteada. É

no ser-se humilde que está o aprendizado tão necessário ao Homem e ao mundo em geral, que no momento presente se encontra perdido e assaz sozinho.

Temos de trabalhar mais a nossa modéstia actuando conjuntamente com os demais, numa demonstração de respeito e crescimento pessoal e social. Só quem tem capacidade para reconhecer os seus próprios erros pode usufruir de humildade, perante os seus defeitos ou limitações mais ou menos cabais. Humilde

não é ser reverente, mas saber ocupar o seu espaço sem ultrapassar o lugar das outras pessoas. A isso chamo bom senso e sinal de inteligência, no factor temporal, que ocupa o sentido de uma pessoa humilde. Magnânimo e nobre a pessoa que usa de humildade, normalmente é reconhecida e aplaudida pelos demais que a rodeiam, e, ao contrário, do que se possa pensar, a pessoa não se torna arrogante perante esse facto. Dói no coração a uma pessoa humilde ver a insolência dos outros e a sobranceria que está a par com os que não partilham dessa qualidade. Perante isto cabe a cada um fazer de nós e dos outros melhores

pessoas sem nunca levantar o tom de voz nem se impondo esta condição digna de registo ante ninguém, que nos confronte de uma maneira desmedida, confinando-nos. Ser humilde, eis a questão a ter em conta, para um mundo melhor e mais aprazível e justo, principalmente para com as crianças e os velhos.

(21/07/10)

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