Teu abraço
(Ibernise M. Morais Silva)
Imagino teu abraço... Aquele abraço... Como laçada me
envolve todinha... Um laço... O teu laço... Toma-me a altura do
busto, aperta-me a cintura... Indeciso. Não deixa espaço, num
aperto gostoso que sufoca...
Minha respiração ofegante, as batidas aceleradas, as pernas bambas,
um arrepio... Procuramos um apoio, um lugar... Pensamentos embaralharam as idéias,
impossível ter idéias... Às claras e distintas então,
sumiram na dispersão... E pensar que estavam tão alinhadas como
escola na avenida...
O desejo e a paixão aproveitaram este deslize, e záz, como diz
o Chaves... É hora de soltar a fantasia, e mergulhar na brincadeira,
faz de conta infantil e por isto mesmo encantado!
Há!... Esse teu abraço envolvente penetra na gente, como uma
linda melodia... De repente, maravilhosa... Teu abraço é grude,
é cola... Abraço de cheiros e beijos no deslizar de tantos braços,
os meus, os teus, numa procura agitada de mais e mais... Cintos, nós,
fivelas, botões...
Objetos que lembram, naquele momento, uma prova olímpica de Pentatlo...
É preciso cobrir obstáculos no tempo, no prazo... À medida
que os descobre, que os encontra, o abraço se desmonta apressado no desmanche,
no despojo mútuo que numa progressão aritmética vai somando
membros que eram dois, quatro, misturando pernas tornaram-se... Oito de repente...
Tudo loucamente desarrumado e a um só tempo... Organizado.
Entre tantos abraços agora multiplicados, aparecem tentáculos,
ventosas sorventes, serpentes orientadas entre tantas coordenadas... Não
se perdem, só encontram... Norte, Sul, Leste, Oeste, exploram a-flor-da-pele-nua,
sua cartografia... O mapa é da mina... Do desejo. Aquele que se rende,
que age escondido e quando se revela, não há mais nada a fazer...
A razão já foi traída, enganada, preterida...
A partir daí não há escapatória, mas quem desejaria
escapar? Esta emoção realça o lindo, o belo, o prazer...
O êxtase mais profundo espraiando-se em ondas e mais ondas... Por todos
os poros, todos os pêlos, todas as cavidades.... Graças aos sentidos!
Gemidinhos, sussurros, mentiras e verdades misturadas, nesta colheita final,
porque tudo é só deslumbramento...
Até a despedida no olhar, ausência de palavras... Falar o que?
Tudo já foi dito e bem_dito... Agora é sentir... Presença
sem presença, observar a memória do corpo... Durante algum tempo
ainda vai se revelar materialmente, nos cheiros, no gosto, no xixi espumado,
na pele marcada, no banho demorado, massagens num auto-abraço, fantasiando
que tu ainda estás em meus braços...
Uma presença que fica, nas imagens guardadas, nas oitivas que não
serão esquecidas... Saudade... Mesmo sendo saudade em cada um está
contida... É assim para que o tempo não pare e nada escape daquela
sensação, daquele sentimento... Novamente o prazer e o desejo
retém a maravilha que se repete ao infinito... Restam trilhas, para reencontros...
Surpresas aos saltos e assaltos, teu nome na agenda, ou eu, na porta a espera
dos teus braços... Daí, cada um ganha vida própria, energia
e segurança, forças renovadas, idéias, agora sim claras
e distintas... Há!...Descartes...
(Indiara, GO - 15.02.2007)
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Publicado em: 02/04/2007 |
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