A Garganta da Serpente
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Haroldo P. Barboza saiba mais sobre o autor

As quedas
(Haroldo P. Barboza)


Quando cai um avião com mais de 10 vítimas fatais, ocorre uma comoção mundial pelo fato. Alguns explicam que isto acontece pelo fato da imprensa manter o assunto nas manchetes durante vários dias. Quando as possibilidades das causas esgotam, enchem as páginas até com o tipo de cardápio que era servido dentro do aparelho. Outros afirmam que existe uma atração natural das pessoas por ser um acontecimento raro em comparação com choques de veículos que se tornaram banais pela quantidade elevada de ocorrências destas fatalidades. Os que ainda não tiveram a oportunidade de viajar pelos ares, declaram que o fato chama atenção por ocorrer num cenário onde pobre só transita se tiver sido premiado em algum concurso esporádico. Estas tragédias ocorrem poucas vezes devido à criteriosa sistemática de manutenção dos equipamentos envolvidos.

Alguns menos comovidos esclarecem que até a queda de um avião pode ser considerada normal, ainda que sejam duas ou três por ano. Fazem comparação com qualquer evento anual (como dia dos finados) que acontece uma vez por ano e é conduzido sem alarde. Uma comparação pálida pelo fato de nestes festejos não acontecerem falecimentos em alta escala.

O fato é que eventos bem mais contundentes, com mais prejuízos materiais e colocando milhares de pessoas ao desalento são produzidos regularmente. E na maior parte das vezes, pela falta de critério das autoridades públicas na construção e manutenção dos artefatos de uso cotidiano por milhares de eleitores.

A tragédia do rompimento da represa no Piauí ocorrida alguns dias antes da queda do avião da Air France talvez já não freqüente nem a terceira página dos jornais. O desleixo (como a tv Band exibiu) que envolve a obra tende (como outras do passado) a não destacar os culpados. Quanto mais penaliza-los!

E assim, milhares de desabrigados que só enxergam aviões quando os mesmos passam sobre suas cabeças, ficarão a ver navios (ou aviões?) dependendo de ajuda humanitária para a reconstrução de suas vidas destroçadas pelas águas que a Natureza despejou na região e a engenharia mal aplicada não soube conter.

Certamente receberão algum auxílio quando faltarem uns dois meses para as eleições de 2010.

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