| Emiriene Costa |
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A partida que nos consome
(Emiriene Costa)
"A pequena palavra "adeus" se alonga como um canto de cigarra
perdido numa tarde de domingo".
Como pensar na partida sem imaginar um corpo que vai se definhando até
sumir completamente no horizonte?
O sentido da partida para aqueles que ficam é imaginar o regresso, é
sentar-se a beira da estrada diante daquele grande sentimento de saudade, mas
bom seria mesmo se com ela não viesse a sensação desenfreada
de dor e vazio.
Toda despedida é como uma canção que vai se acabando de
mansinho, de man-si-nho. É como o entardecer que se passa de repente,
mas nunca despercebido.
A partida deveria ser como um perder-se de corpos sem que houvesse despedida,
assim compreenderíamos que a vida, e não nós mesmos, se
encarregou disso.
Mas, como partir sem deixar pegadas? Talvez a resposta seja: quando o outro
que nos espera, nos permita que voemos.
Uns partem porque precisam ir à guerra, outros para alcançar
seus objetivos. Uns partem porque deixam de existir, outros caminham em direção
a algo em que se acredita. Conforto é saber que as lembranças
existem e delas podemos construir algo mesmo que imaginário, a fim de
preencher o espaço oco dentro de nós.
Muitos encaram a partida como uma perda, outros sentam e esperam pelo regresso.
Mas qual o sentido da partida para aqueles que ficam à espera do retorno?
A partida é como um inverno frio, que nos consome e gela e congela,
e petrifica, deixando o silêncio que torna tudo menos penoso, a fim de
lembrarmos apenas as coisas douradas e, digamos, apenas a pequena palavra: adeus.
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