| Emiriene Costa |
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Mãe Terra, mãe Sol, mãe Lua
(Emiriene Costa)
"Eu vi a mulher preparando outra pessoa, o tempo parou para eu olhar para
aquela barriga".
Toda mãe é um elemento indecifrável da natureza, um elemento
composto de luz, calor e energia da qual jorra a força e a magnitude dos
deuses sagrados sobre o ventre manifesto em trabalho de parto.
Durante meses se carrega um ser e se prepara para o grande presente: a dádiva
de dar a luz. E abre as pernas, contorce as ancas, freia o medo, e dorme, e desperta.
E cozinha, passa, arruma, canta e manifesta: ao seu bebê gerado.
Sem jeito, ela anda apressada, faz a janta, coloca a mesa e me conta histórias
com o olhar de um sábio escritor, como se estivesse escrito um roteiro
mágico sobre a vida. Depois me deita e fica ali por horas a me olhar, até
que o sono me vença para que ela então descanse.
A labuta diária ela caminha e roga aos anjos, seus aliados, a proteção
do seu fruto. E chora, e silencia, e grita, e sorri, e ama, e briga: aconselha.
Com os olhos ofuscados ela vê, depois de anos seu pequenino menino soltando
pipa, enquanto ele ali já não está.
A minha mãe chega à porta do quintal e berra: "sai da chuva
criatura de Deus que tu vai se resfriar". Pela segunda vez, com o chinelo
na mão apontando para mim, ela ameaça um ato de bravura: causar
a dor naquele que mais ama, caso não a obedeça.
E seu tão pequenino um dia caminha em direções diversas e
se distancia, buscando outros horizontes. Com rugas na alma ela envelhece, ajoelha
e roga.
Como o vento se despe como as folhas de uma árvore, a mãe terra
se curva, dias e noites sombrios sem notícias de seus ramos. Então
ela olha atenta para a estrada e, dessa vez, dorme e sonha com um dia azul de
verão: a chegada da primavera.
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