A Garganta da Serpente
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Emiriene Costa saiba mais sobre o autor

Procura-se o Espírito Natalino
(Emiriene Costa)

Qualquer réstia, n'alguma sombra ou atrás dos rochedos, procura-se o espírito natalino, assim como almejar a chuva, assim como se desperta e sai a procura das manhãs ao olhar o sol, assim como quem suspira, ou murmura ou sorri.

Procura-se: E há de haver em algum lugar sobre os bancos da praça ou estampados nos jornais algo que arranque lágrimas ou que toque no ventre humano.

Procura-se por aquele velhinho, agora desnutrido, mas que outrora me fizestes tecer sonhos.

Procura-se como quem abre todas as gavetas a fim de encontrar a chave.

Procura-se como uma lagarta exposta ao sol e uma fogueira que aquece e ilumina.

Procura-se nas mãos do poeta, nas vozes sinfônicas, nas luzes noturnas que enfeitam os olhos ou no pão saboroso.

Procura-se de uma forma desvairada como se a essência do nada fosse a busca.

Revira os lençóis da cama e põe do avesso essa estranha face. Compra-te um presente e põe na tua sala vazia para que a solidão não a perceba. E coloca tua meia a porta e toque os sinos.

Então, procura como quem dança e não como se fosse uma busca constante de achar o inatingível.

E de todos os lugares inócuos, invisíveis, irrisíveis e inúteis.

A tua luz sem chama e o Teu eu que ocultas.

Procura, mas procuras em si.

Procura, mas não se tranque no quarto a ver a vida passar...Singela...Serena...Suave...

Procuras, mas não te enrijeces...

Procuras, mas não te esqueces de olhar o menino que caminha ou os pássaros que deslizam lentamente ao ar/céu.

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