A Garganta da Serpente
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Emília Maria Martins Lopes saiba mais sobre o autor

Vá Idade!
(Emília Maria Martins Lopes)

Nascemos, crescemos e, por mais cruel que possa parecer, envelhecemos.

Eu não seria a exceção.

Nasci, cresci (não muito) e estou caminhando para a etapa seguinte.

Prefiro pensar que sou, apenas, de outros tempos.

Daqueles que comunicação escrita, para alguém distante, era feita somente por carta. Que leite era vendido em garrafa. Que a evolução das provas nas escolas passou de copiar tudo do quadro negro para ter que agüentar o cheiro de álcool das provas mimeografadas. Que havia contrabando de cerveja nos supermercados na véspera do carnaval. Que os postos de abastecimento não funcionavam no domingo. Que já passei por oito moedas brasileiras diferentes. Que meus pais protegiam as leis e ai de mim se tentasse burlá-las.

Tive liberdade, frustrações, sucessos e grandes responsabilidades.

Não consigo me adaptar com vários controles remotos ao mesmo tempo. Os recursos dos telefones celulares estão avançando mais rápido do que minha capacidade em compreendê-los. Sou da época do namoro e a geração ficante me assusta. Na escola aprendi que DNA significava ácido desoxirribonucléico e na vida que é Data de Nascimento Antiga.

Sou do século passado, mas não me importo. Muitos também são e nem puderam brincar de carrinho de rolimã. Não sou eu quem está ficando sem pressa. É o mundo que está muito rápido.

Enquanto sentir prazer em dar boas gargalhadas assistindo a um desenho infantil; enquanto experimentar o vento batendo no meu rosto e tiver vontade de voar; enquanto não me envergonhar de chorar em público; enquanto improvisar coreografias quando escuto uma boa música; enquanto exercitar caretas para quem não me atende direito; enquanto fizer guerras com bombas de meias; enquanto tiver ataques com coisas que não me agradam; enquanto olhar minha imagem refletida no espelho e puder dizer:

_ Vá idade! Continue. Siga tranqüilamente seu caminho porque a vaidade está dentro de minha alma e não vejo necessidade de driblá-la.

Certamente continuarei saboreando a vida com a espontaneidade de uma criança.

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Vá Idade!

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