| Douglas Lara |
  |
Sukyaki na delegacia
(Douglas Lara)
Sexta-feira a noite, estávamos num restaurante japonês no bairro
da Liberdade em São Paulo, dois casais e um amigo desacompanhado que
morava no Rio de Janeiro. Ele, iria jantar e tomar o ultimo vôo da ponte
aérea. Conheci o pequeno restaurante levado por um colega de trabalho
um chinês de Hong Kong de nome Raul dos Remédios. Como era mais
velho e conhecedor da comida oriental, introduziu-me nos mistérios e
sabores da culinária japonesa. O chinês, Raul. dizia que era muito
bom comer comida chinesa em restaurante japonês. O restaurante que ainda
existe naquela pequena travessa da avenida Liberdade, ficava ao lado de um das
primeiras unidades do Colégio Objetivo.
O jantar transcorria num ambiente de cordialidade e alegria como sempre acontece
em reuniões de bons amigos. O amigo que estava só, era irmão
do homem do outro casal. Na mesa Um vasinho e algumas tacinhas de porcelana
japonesa, para o sake morno. Dividíamos um sukyaki, apos ter comigo peixe
cru e outras iguarias da comida japonesa. E, vai que de repente a mulher 'cunhada'
do meu amigo que aguardava o vôo de retorno ao Rio, decidiu colocar o
vasinho de porcelana na bolsa a titulo de souvenir.
Na hora de pagar a conta a senhora japonesa, gerente (ou dona) do restaurante
solicitou o vaso de sake. A 'cunhada' disse que não tínhamos pegado
o vaso pois não éramos ladrões de restaurante. O amigo
do Rio, disse, não minha senhora, se existe um problema a senhora pode
incluir o valor do vaso de porcelana na conta. A partir dai, o ambiente ficou,
como chamamos hoje 'saia justa' enquanto a japonesa gerente dizia, se querem
qualquer item de porcelana japonesa, esperem até amanha, quando as lojas
estarão abertas. Amanhã é sábado e podem comprar
o que quiserem. Lamento informar que as louças usadas pelo restaurante
não estão a venda.
Situação extremamente incomoda e lamentável, pois sabíamos
que a 'cunhada' tinha colocado o precioso vaso na bolsa. A japonesa dona disse
ou devolvem ou irei chamar a policia para resolver este assunto. Peço
portanto pra abrirem as bolsas para que eu possa ver o conteúdo. A 'cunhada'
disse, as bolsas não iremos abrir e, a senhora pode chamar a polícia,
imaginando que tudo iria terminar em pizza, mesmo estando num restaurante japonês.
Acabamos indo então para a delegacia de policia mais próximo quando
então o delegado em decisão salomonica, convenceu a dona do restaurante
cobrar o vaso e liberou os distintos casais e o convidado que tinha que voltar
para o Rio.
A partir dai passei a tomar muito cuidado com todos cleptomaníacos de
plantão evitando dissabores como o descrito acima. Infelizmente não
pude mais voltar ao restaurante que freqüentei durante anos.
263 visitas desde 11/08/2005
|