| Daniela Querobina |
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Oca!
(Daniela Querobinas)
Meu Deus! e agora? Pronto. A certeza do fim. Três cigarros seguidos e
uma evocação ao céu são sinais claros e definitivos
de desespero. Do meu desespero!
Ah, como posso me perder por tão pouco? Já havia acabado mesmo.
Duas vidas estranhas dividindo uma casa vazia e impessoal. Vazia e impessoal.
A casa, a relação, as pessoas...
Acabado? Como posso falar do fim de algo que se quer começou? Nunca houve
a verdadeira entrega. Faltava o sentimento. Havia a paixão, mas ela nunca
é o bastante. Ainda que forte e incendiaria como a nossa.
Tudo muito rápido; em um dia o encontro perfeito: planos, idéias,
desejos; logo a mesma casa e o mesmo espaço. Não fui para sua
nem ele quis vir para minha. Quebramos contratos de locação e
vendemos os móveis numa atitude inconseqüente e infantil. Ciúmes
do passado.
A mudança que deveria nos tornar próximos, nos fez mais distantes.
De repente tudo era rotina e automação: café, trabalho,
cama e cinema (nos finais de semana). O amor virou rotina e costume.
Rotinas assimiladas, e planos adiados e esquecidos. Não, não havia
o esquecimento, a lembrança era viva. Mas havia a acomodação,
e o mundo dos acomodados é inegavelmente mais fácil.
A conversa, entre pessoas, sempre, muito ocupadas e voltadas ao seu mundo, torna-se
artigo raro que, nem sempre, é bem aproveitado.
Novo contrato rompido. Foi embora. Silenciosamente arrumou suas coisas na mala;
silenciosamente o vi sair. Poderia ficar, tranqüilamente, aqui. Mas como
conviver com a oca de nossa relação? Nada é tão
impessoal a ponto de não deixar marcas em que viveu.
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