| Daniela Medeiros |
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E Assim Tudo Começou...
(Daniela Medeiros)
Ainda me lembro de cada detalhe daquela noite. A noite em que minha vida e meu destino foram mudados e tiveram um novo rumo. Um lugar distante e misterioso me esperava e fazia meu coração bater mais forte. Nunca ouvi palavras como aquelas, palavras simples mais cheias de significado. Aquela noite e aquelas palavras foram a marca de um novo estágio em minha vida. E assim tudo começou...
Tudo começou a um tempo atrás, novembro do ano 2000. Meu pai chegou em casa diferente, ar misterioso, sorriso enigmático, olhos brilhantes. Tudo parecia muito misterioso entre meus pais desde alguns dias atrás. Perguntava-me o que estaria escondido em meio aqueles sorrisos e olhares que se cumprimentavam como num código secreto. Mas resposta tão surpreendente como a revelação daquela noite não era achada.
Meu pai chegou em casa, e pouco depois do jantar invocou uma reunião em família. Já sabia que vinha bomba, mas o que eu não sabia era o tamanho desta bomba nem quanto território ela destruiria. Depois de muita enrolação, meu pai perguntou com aquele mesmo sorriso enigmático que tinha chegado em casa, "O que você acharia de morar em um outro país?", meu coração apertou pois já sabia que daquele momento em diante, minha vida seria mudada de alguma maneira para sempre. Eu morava em Belo Horizonte, Minas Gerais, e nos últimos meses estava muito feliz com a idéia de ir morar no Rio de Janeiro, e esperava impacientemente o fim do ano para começar aquela minha nova vida no Rio. Eu já tinha até estado lá e feito matrícula em uma escola. Descobrindo o mistério que se escondia naqueles olhares e sorrisos uma grande curiosidade invadiu-me e possuiu-me, e a única coisa que consegui pensar foi que país era aquele. Mas com esaá curiosidade também veio a decepção, por toda a minha vida, morei em várias cidades diferentes do Brasil e agora queria voltar para o Rio, não queria ir para outro país. Meu pai continuou e disse, "Não é Estados Unidos, Europa ou América do Sul..." Aí foi desespero total, tirando estes lugares o que sobrava do mundo? O Oriente? E em meu desespero perguntei em voz suplicante:
"É o Japão ? Não, não pode ser! Ou é a China ? Me fala logo antes que eu tenha um ataque cardíaco!"
"Não é Japão nem China! Pode ficar calma..." dizia meu pai em sua tranqüilidade.
Minha mãe ficava do lado, também dando suas dicas e seus palpites, mas eu não estava em clima para piada, talvez eles não quisessem me falar de uma vez só, pois o susto poderia ser muito grande. Tentando adivinhar a charada perguntei:
"Ah não! Num vai me dizer que é a áfrica?"
E mais uma vez a resposta veio negativa.
"Não, não é áfrica, então acho que a única coisa que nos resta é a ásia !"
Desta vez o desespero veio grande em meu coração, mas antes de mais nada meu pai prosseguiu, "Existem países ótimos na ásia, Istambul por exemplo é um lugar lindo, mas não é lá!"
Estava cansada deste jogo de adivinhação, já não tinha mais a menor graça! Depois de muito vai-e-vem, a charada foi resolvida em poucas palavras, mas palavras que vieram como uma flecha que entra sem pena pelo peito e te deixa sem ar:"É a Arábia Saudita!". Lágrimas desceram em meus olhos como uma cachoeira que parecia não ter fim, chorava como uma criança de quem foi tirado o doce, e minha vida parecia ir água abaixo, ou melhor, cachoeira abaixo. Minha irmã mais nova entrou em desespero quando me viu chorando; ela percebeu que a situação era grave. Virei pra ela e disse:
"A gente vai morar no meio do deserto!"
Ela começou a protestar mais ainda e o desespero era presente nos olhos de todos, pelo menos naquele momento naquela sala.
Este não é o fim, é apenas o começo...
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