A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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A Paz dos Inocentes

(Sarah D.A. Lynch)

Enquanto o mundo grita paz na terra aos homens de boa vontade, nós, os loucos, não cremos nisto. Primeiro, porque boa vontade nunca fez coisa alguma - colocar as mãos onde se coloca a boca sim. E então nós, aqueles que usam da palavra como seu meio de ação, escrevemos, e choramos enquanto escrevemos. Loucos em um mundo são. Dom Quixotes sob o escárnio do mundo.

Na verdade, os únicos que conhecem qualquer espécie de paz agora mesmo são os meninos e meninas que estão na guerra, seja ela física ou psicológica; os meninos e meninas que passam fome, seja ela física ou espiritual; os meninos e meninas que estão em leitos de hospital, seja ele físico ou mental; os meninos e meninas que estão em desespero porque não entendem.

Apenas lembre-se: enquanto um só menino, uma só menina, estiver passando pelo vale das multidões insanas, não haverá redenção alguma. Nos Jardins Sagrados há somente um Portal, e ele se chama Amor.

Não, não estou falando em pronunciar algumas palavras, crer de todo coração e - bingo! Você tirou a sorte grande e está dentro, e o resto do mundo que se lixe porque não foi sortudo como você.

Não. Ninguém entra pelo Portal Eterno enquanto meninos e meninas observam com grandes olhos famintos.

Afinal, nos Jardins Eternos há poesia. Amor rima com dor. Enquanto seu amor não doer, enquanto você não morrer por amor ou desamor, não conhecerá paz alguma - apenas esquecimento.

E enquanto o mundo clama paz na terra aos homens de boa vontade, a paz ainda está apenas com os que se redimiram através da purificação do escárnio, do esquecimento, da negligência, do pouco caso, do egoísmo.

Não adianta se esconder atrás de seu irmão mais velho, clamando que ele já sofreu por você, então você tem direito. Não existe amor vicário, e você não aprende amor por osmose. A paz do amor maior é uma conquista, não uma herança para os que têm sorte. Quer dizer, a verdadeira e eterna paz.

ESTA É A PAZ DOS INOCENTES. E inocência se aprende a duras penas.

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