A Garganta da Serpente
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Discussões sobre a verdade universal
(Dalva Agne Lynch)


Qualquer discussão sobre a Verdade Universal (chamem-na de Deus, Adonai, Alá, Grande Mãe, Inteligência Cósmica ou o seja lá o que for, porque não muda nada - todos eles são os proverbiais nomes da mesma rosa) está fadada ao fracasso, simplesmente porque:

1. Cada pessoa chegou a seus conceitos após seguir por um caminho absolutamente individual e solitário, seja este caminho longo e tortuoso, ou tipo miojo - instantâneo e seguindo as instruções do pacote.

2. Se eu conseguir convencer você de que estou certa e você está errado, isto não significa necessariamente que minhas idéias são mais verdadeiras que as suas. Pode ser porque sou mais eloquente, ou porque minhas idéias são mais concatenadas. Quer dizer, ganha quem tem mais lábia, não necessariamente quem tem razão.

3. Cada um vê a Verdade Universal da mesma forma como a famosa historinha dos três indianos cegos perante um elefante: um apalpou a tromba e disse que o elefante era como uma serpente; outro apalpou a perna e disse que o elefante era como um tronco de árvore; o último apalpou a barriga e disse que era como uma pedra. Quer dizer, cada cego apalpou apenas A SUA ÍNFIMA PARTE DO TODO, e concluiu que o que apalpara era o todo. Estavam errados? Não - apenas limitados pela sua incapacidade de percepção.

Amigos e amigas, cada um de nós percebe o Infinito, a Verdade Universal, de acordo com suas próprias limitações, idiossincrasias, experiências e vivências. A sua verdade é diferente da minha porque somos ambos diferentes um do outro, e não porque a Verdade per se é diferente. Nossa percepção individual é que é o ponto variável.

Vai daí - pegar em pedras e chamar nomes só porque alguém mais não aceitou o que você disse, então você vai pegar sua bola e não vai mais brincar, é, no mínimo, infantil, e no máximo, destrutivo. É deste tipo de atitude que vêm todas as guerras dos homens.

Amigos e amigas, todos estão certos, cada um de acordo com sua capacidade de percepção. Ainda que não possamos dar um fim a guerras, pelo menos podemos, nem que seja por puro exercício intelectual, tentar perceber o elefante pelo ponto de vista do outro cego ao nosso lado. Talvez assim consigamos entender um pouquinho mais do que vem a ser o elefante em questão - a Verdade Universal.

E se isto não pode mudar a situação política, social e educacional do mundo inteiro, pode pelo menos mudar nossa própria vida, e a vida daqueles que dependem de nós.

Afinal, um pouco de percepção e entendimento pode abrir mais caminhos que todas as armas e todas máquinas do mundo.

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