A Garganta da Serpente
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Porte de armas
(Cris da Silva)

Pertinaz em não calar o que penso, nem tão pouco omitir a análise que acabo de fazer detalhadamente, embora sem muito esforço porque as conclusões me parecem óbvias, aqui vai a minha opinião sobre o porte de armas.

O indivíduo não pode ser impedido de possuir armas, porque ele é a última defesa de liberdade contra, tanto estados internos quanto externos.

A restrição do porte de armas ao poder público (até porque, este não é nada mais do que um poder privado, disfarçado), não incidiria numa diminuição da violência, haja visto que elas não são o único instrumento desta. Existem facas, cordas, paus, pedras (assim como as que são jogadas por crianças palestinas em tanques de guerra), para não citar a proliferação de academias onde se ministram os ensinamentos das artes marciais, sem o devido cuidado de embasá-los na sua própria filosofia O privilégio de ataque e defesa dado ao denominado "poder público", tem estimulado atrocidades apoiadas no abuso de autoridade. Além do mais, quem normalmente recorre ao porte de arma, é o individuo que realmente precisa dela para fazer uso em sua própria defesa, e temos excluídos desta lista aqueles que na verdade representam um perigo à sociedade.

Um cidadão comum na posse de uma arma acaba intimidando e desestimulando o bandido. Em estatísticas feitas por John Lott, nenhuma região onde o porte de armas foi proibido, teve o índice de criminalidade diminuído, muito pelo contrário. Os números dizem que o porte de armas reduziu em 127% os crimes violentos, em 81% as chances de alguém levar um tiro, em 5%os estupros, em8% os homicídios, e em 7% os roubos. Apesar de, segundo pesquisa da ONU, o Japão, onde o porte de armas é proibido, ser o país com menor taxa de homicídios por armas de fogo, e no Brasil, onde não existe esta proibição, se encontrar o maior índice mundial deste tipo de morte, outros fatores se apresentam como causa destes dados aparentemente tão contraditórios. A própria Suíça, em 95, a despeito de ter 2,5 vezes mais armas que a Alemanha, teve 40% menos homicídios, taxa esta que se aplica a Israel e EUA, onde o primeiro possui mais armas, e no segundo, se reflete uma taxa maior de homicídios. Na Inglaterra e na Austrália registrou-se um aumento da violência após a proibição de armas.

Poderíamos passar horas fazendo levantamentos, onde o aumento de um funciona interligado à diminuição de outro, mas o mais premente nesta discussão são os direitos naturais da pessoa humana, onde se parte da premissa que esta tem direito a adquirir meios de defesa,(desde que estes não violem os direitos alheios), através dos quais, ela pode evitar a invasão de sua propriedade, propriedade esta que não abrange só bens materiais, mas até mesmo a própria vida. Este direito do individuo em controlar o que lhe é externo, sem ultrapassar a barreira que delimita os direitos de outro, denominamos de direito natural.

Mais do que perceptível, é óbvio que, quando os meios de defesa são cerceados e restritos, ,os meios de ataque se expandem com facilidade, e aí se concretiza o enfraquecimento cada vez maior dos mais fracos, tornando-os mais vulneráveis à força dos já fortalecidos, através da passividade.

Há que se estabelecer um equilíbrio nas regras do jogo, e permitir ao ser humano, na condição de direito natural, fazer uso destas quando achar necessário, preservando a liberdade de cada um em defesa de si mesmo.

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