| Charlene Cristine Weiss |
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MHISXTURA
(Charlene Cristine Weiss)
Quando podemos trocar a roupa do velho armário? Quando devemos assumir
os buracos causados pelas traças que insistem em comer aquele lençol?
Quando podemos jogar no lixo aquele brinco que nos causa alergia? Quando devemos
não mais usar aquele perfume que não nos lembra nada? Quando devemos
parar de fumar, apesar de saber que morreremos de qualquer maneira? Quando devemos
rasgar aquelas cartas de amor infantis guardadas dentro daquela lata decorada
de biscoitos de natal? Quando devemos preparar uma comida diferente mesmo sabendo
que depois, tudo vai para o mesmo lugar? Quando devemos nos embriagar, mesmo
sabendo que depois do porre tudo voltará ao normal? Quando devemos parar
de ouvir aquela música que não sai do repeat do som? Quanto devemos
para conseguir realizar os poucos atos de começo que a vida nos dá?
Será que pagamos algo?
Pagamos com o olhar, com o sorriso, com as lágrimas dos outros. Pagamos
com nosso dinheiro, pagamos com nossas mentiras. Pagamos com nossa hipócrita
hipocrisia. Nossa fantástica ilusão de viver nos proporciona a
sensação de que tudo ficará bem, mesmo estando com cem
anos de idade. Claro, devemos acreditar, pois se não deu certo, é
porque não chegou o final! Que patético! Está formada a
frase daqueles que querem nos conformar com a realidade de que nos impõe.
Mas para quê? E por quê?
É como se tivéssemos um dispositivo intracerebral, à base
de tutano, que nos guiasse a qualquer lugar e, automaticamente comandasse nossos
sentimentos e pensamentos à sua maneira. Enfim, como se fossemos máquinas,
onde, bastasse o aperto de um botão para mudarmos totalmente. Então,
pararíamos de sentir, pararíamos de comer, pararíamos de
dormir, e nos transformaríamos em estátuas. Não aquelas
estátuas de galerias e museus, pois aquelas servem para "embelezar"
os olhos dos cultos, mas simplesmente uma estátua, parada, inerte num
canto qualquer.
Realmente, ser estátua não é fácil. Ainda mais,
estátua viva. Ainda mais quando se tem sentimento, ainda mais quando
sorri, mesmo que de vez em quando. Ainda mais quando se chora, mesmo sendo de
alegria. Não sei, mas sempre achei as estátuas tristes. Parece
que querem quebrar o concreto e sair fora, chutar, gritar, dar um tapa naqueles
que passam e riem.
Mas para quê? Por que fazer tudo isso, por que mudar se não mudará
nada? Para que surrar, para que gritar, para que chorar se, tudo voltará
ao normal. Isso não é divertido! Divertido é divergir.
Divergir é infinito. Ao divergir, o universo conspira ao nosso favor!
E não há necessidade em se voltar ao normal, pois aleatoriamente
formamos vínculos. Alguns se quebram, outros permanecem durante boa parte
da vida. Mas mesmo assim, temos a capacidade de passar e olhar, nada mais. O
máximo, é oferecer um copo com água.
Ser estátua ou ser estátua! Entendeu? Ainda não.
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