A Garganta da Serpente
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SAUDADE
(Charlene Cristine Weiss)

Lamentamos aquilo que não temos e choramos pelo sofrimento futuro. Rimos de coisas banais, mas que no íntimo são mais importantes que o próprio lamento.

Esse lamento é igual à saudade, vem de mansinho e às vezes conseguimos enganá-lo ou fingir que está tudo bem.

A distância nada mais é do que a ausência do contato, da boca, do olhar, do cheiro e da umidade das palavras.

Sentir saudade é engraçado. Depende de situações, de momentos, pois se sentimos saudades, é graças aos momentos que passamos com alguém ou, os momentos que não puderam ser aproveitados, mas com uma pitada de imaginação se torna real e objeto de desejo.

Quem de nós nunca sentiu uma dor no peito só de pensar em alguém, ou que jamais poderá ver aquela pessoa novamente, ou pior, saber e acreditar que poderá vê-la um dia, mas que no fundo sabe que é quase impossível. Nada mais que isso, a saudade é como um campo florido, cheio de botões de rosas coloridas que, basta o pensamento para que os botões se abram e se fechem para o nascer de um novo botão, para se ter uma nova rosa, um novo dia e uma nova saudade.

Muitas vezes nos deparamos com nossas lágrimas ao lembrar de um cheiro, de uma voz semelhante, de uma música, de um gesto. Mas por qual razão chorar?! Diante disso, entra o lado egoísta de querer para si os momentos bons, e esquecemos de que momentos são momentos, o próprio nome já diz, M O M E N T O S, que significa ocasião, circunstância. Não menosprezando determinadas ocasiões que podem permanecer dentro da gente por nove meses, mas mesmo assim, não deixam de ser momentos, e por mais momentâneos, não esquecemos.

Quando pensamos na palavra saudade, automaticamente nos vem à mente uma distância longa, como se fosse uma estrada que nunca se chega ao fim, um caminho árduo e insistente, que nos vêm quando não queremos percorrê-lo e que nos pega de surpresa. O mais triste é que, nem sempre esse caminho poderá ser percorrido e vencido, porque muitas vezes não conseguimos chegar lá, no final.

Acordar e sentir saudades da cama. Deitar e sentir saudades do dia. Comer e sentir saudades do regime. Rir e sentir saudades... saudades da risada que se deu a minutos antes, pois nenhuma risada é igual a outra, e os momentos são diferentes mesmo estando com a mesma pessoa e fazendo as mesmas coisas. Logo, a saudade é única e própria.

Viver é sentir saudades. Saudade não é passado, é presente vivo e constante. Não precisamos estar em contato com alguém para senti-la, basta que esta esteja viva dentro da gente. Nada mais, pois estando dentro d'alma ninguém poderá retirá-la. E podemos enganar aos outros dizendo que não sentimos, mas sabemos o quanto aquele que um dia trocamos palavras nos faz falta. Acreditar que temos alguém dentro de nós e que por mais longe que esteja, muito além do que os olhos possam ver, é acreditar na vida, pois quem não sente não sabe viver.

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Saudade

 

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