A Garganta da Serpente
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Faltam muitas coisas
(Cesar Reballo)

Parei de escrever e perdi a inspiração.

Antes, era só segurar a caneta e o coração comandava os movimentos da mão e, quando acabava, lá estava mais uma de minhas escritas.

Gostava de escrever sobre o dia, a semana, o tempo, a distância, as pessoas, os sentimentos. Hoje, fico pensando em alguma coisa para escrever e não sai nada.

A inspiração vem de sonhos, momentos, histórias que se passaram e deixaram um resquício de acontecimento na minha mente.

Na verdade, não sei por que comecei a escrever. Talvez para expressar um sentimento aprisionado, tentando mostrar alguma coisa nas entrelinhas dos meus textos e talvez para um dia pegar minhas coisas e poder ler em um lugar sossegado lembrando dos momentos que tive.

Confesso também que muitas coisas escritas por mim, ainda me fazem chorar, me fazem lembrar de muitas coisas que não voltam mais. E o que nos resta é apenas lembrar com saudades.

Lembro de uma escrita antiga (ano de 1999 ou 2000):

"Espero um dia te reencontrar e quem sabe até arrancar-lhe um sorriso sincero contando minhas andanças pela vida".

Talvez seja isso que quero, pegar minhas coisinhas e arrancar de mim mesmo um sorriso sincero.

Peço a todos que escrevem que não deixem de fazer isso. Além de ser bom para quem escreve, é melhor ainda para quem lê.

(01/12/2005)
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