| Cassiana Lisboa |
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Eu bem tentaria te explicar, mas não posso
(Cassiana Lisboa)
Eu bem tentaria te explicar, mas não posso. A posição de
"rainha da verdade absoluta" não me cai bem, nem ao menos procuro
dar respostas prontas aos que me perguntam. A única coisa que sei é
que um dia você vai cair da cama, depois de chorar horrores por um amor
mal resolvido e vai descobrir que nada é perfeito. Pode demorar uma hora,
cem dias, uma vida, mas esse dia chega. Essa realidade medonha e que apavora,
encosta as mãos no seu ombro e te dá a pior notícia que
você pode receber depois de anos de ilusão: Seu príncipe
encantado não vai bater na tua porta e te levar pra Terra do Nunca e
que nada do que te disseram para acreditar é verdade. Sim, relacionamentos
acabam. Sutilmente ou arduamente, escandalosamente, com histórias hilárias,
muita raiva ou com uma paz inexplicável. mas certo dia eles chegam a
um ponto da estrada em que precisam ser acabados. Então toda aquela história
de amor vira um capítulo a parte na sua vida e você chora as pitangas
até os olhos esbugalharem de frente para o espelho.
E eu, nem estou sendo tão fria quanto parece viu. Acho mesmo é
que a gente não nasceu pra perder, mas perde. Nem nasceu pra entender
essa história por completo, mas entende, na marra. Com gosto amargo na
boca e uma tentativa frustrante interna dizendo pra si mesmo: eu vou mudar essa
história! (Será? não sei..mas se for..boa sorte! você
vai precisar). O amor virou item de prateleira no supermercado chamado vida.
Ele é só mais uma das representações embaraçosas
que a nossa linda sociedade pós moderna criou.
Como quem se esfola na rua depois da queda, descobrir o fato real dessa coisa
"amor" é como perder o meio que tem dentro da gente. Sentir-se
um pouco (ou totalmente) vazio. Destruir um pouco da mágica da infância
sadia e costumeira de cada um. A boa verdade - doa a quem doer - é que
você chega a um certo estágio da vida e descobre que essa coisa
chamada amor pintada de cor de rosa, azul, vermelho e lá vai cacetada
não existe. foi realmente coisa que colocaram na sua cabeça. E
isso não é regra, claro que existe gente que se encontra, que
se ama. Dentro de uns cem mil exemplos é possível achar um - ou
não, depende de quanto a sua ótica é distorcida né?.
O importante mesmo é saber lidar com a situação. seja por
bem ou por mal uma hora você terá de enfrentá-la. O bom
seria se conseguimos olhar ela como um vício, que precisa ser cortado
pela raiz. Isso mesmo, como se fôssemos fechar um ciclo vicioso. quando
termina, nem parece que foi tão difícil assim.
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