A Garganta da Serpente
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Carmem Sandiego fale com o autor

Plenitude da visão
(Carmem Sandiego)

Quantos pontos de exclamação usamos durante o ano que passou?
É bem possível que tenhamos usado muito mais o ponto de exclamação que o ponto de interrogação, porquanto, o sentimento parece ser mais forte que a curiosidade.
A exclamação nasce no coração e se expressa na fala.
Vencemos o primeiro mês do ano de dois mil e seis e, certamente, a exclamação que mais bradamos e ouvimos foi: Feliz Ano Novo!
Novo. Este é o ideal escondido na alma humana, contudo, quando o novo finalmente chega, ele logo envelhece e alimenta mais ainda a sede frenética de um outro novo. O próximo novo tem que ser perfeito para não perder a beleza e envelhecer.
Entretanto, será mesmo que este novo que tanto ansiamos, realmente existe?
Não será a vida uma eterna mesmice?
Primeiro de janeiro de dois mil e seis começou exatamente como o primeiro de janeiro de dois mil e cinco: o sol se levantou, o dia teve suas vinte e quatro horas, pessoas nasceram, pessoas morreram, comemos, dormimos, acordamos e falamos. Qual foi a novidade?
Essencialmente falando, nada há de novo na vida. É como disse o Pregador em Eclesiastes 1: 2, 4-11:

"É ilusão, é ilusão, diz o Sábio. Tudo é ilusão. Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo. O sol continua a nascer e a se pôr, e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez. O vento sopra para o sul, depois para o norte, dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar. Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez. Todas as coisas levam a gente ao cansaço, um cansaço tão grande, que nem dá para contar. Os nossos olhos não se cansam de ver, nem os nossos ouvidos, de ouvir. O que acontece antes vai acontecer outra vez. O que foi feito antes será feito novamente. Não há nada de novo neste mundo. Será que existe alguma coisa de que a gente possa dizer: 'Veja! Isto nunca aconteceu no mundo?'. Não! Tudo já aconteceu antes, bem antes de nós nascermos. Ninguém lembra do que aconteceu no passado, quem vier depois das coisas que vão acontecer no futuro também não vai lembrar delas".

Em seu livro, Onde Encontrar a Sabedoria, o crítico literário Harold Bloom comentou o seguinte acerca da passagem acima:

"(...) chegando aos setenta anos de idade, poucos de nós conseguem deixar de sentir um calafrio diante desse ritmo repetitivo".

Refletindo nesse eterno retorno da vida, sinto que o novo só poderá realmente acontecer quando houver mudança na nossa visão das coisas, das pessoas e das circunstâncias.
O novo então virá quando passarmos a:

VER CERTO
A pessoa de visão é exigente. Não se deixa levar pelas aparências, pelas manipulações da história, das notícias e das opiniões públicas.
A pessoa de visão previne-se contra a mentira. Ela ouve o que se fala, lê o que se escreve, vê o que aparece, contudo, retém o que é bom e certo.
A pessoa de visão tem um modo diferente de raciocinar, avaliar e decidir, não exagera e nem generaliza as dificuldades.
A pessoa de visão não vê gigantes demais e nem anões de menos. Não condena e não absolve sem antes conhecer e fazer prova.
A pessoa de visão não se anula em seu próprio raciocínio. Sua mente não se entorpece e seus sentimentos não embrutecem.
A pessoa de visão vê certo, dentro do foco, com nitidez.

VER LONGE
Há muitas coisas bem longe que a pessoa de visão pode contemplar pela fé e esperança, como se já estivesse ao alcance de suas mãos.
A pessoa que vê longe percebe as coisas, por ora invisíveis, e chegam a vê-las e senti-las antes mesmo que se realizem.
A pessoa que vê longe tem esperança, tem fé. È como no conceito de fé, dado em Hebreus 11:1:

"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam; a convicção de fatos que se não vêem".

Certeza e convicção em coisas que não se vê, mas se espera, é só para a pessoa que vê longe.

VER ALTO
A pessoa de visão não é mesquinha, não é atravanhada pelo impossível, não se põe em ridículo, não sofre desânimo e nem se ressente em entusiasmo.
A pessoa de visão vê alto, contempla o céu, pensa no universo e vê o quão é pequeno para ver por cima das outras pessoas.

PESSOA DE VISÃO:
As visões certa, longe e alta protege a pessoa de visão de qualquer má interpretação, dúvida, precipitação, desânimo, inatividade, confusão e naufrágio na fé e esperança.
Que possamos mirar dois mil e seis sob o foco certo, longe e alto e realmente fazer acontecer um ANO NOVO!

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Plenitude da visão

 

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