| Aurora Miranda Leão |
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Sem Perder a Garra, Jamais!
(Aurora Miranda Leão)
O choro de Cambiasso e o aplauso de Crespo para a torcida ficam como as imagens
finais definidoras do jogo Argentina e Alemanha.
Fiel torcedora da seleção de Maradona, vibrei (como milhares
de hermanos portenhos e brasileiros) com a supremacia argentina em campo. No
tempo regulamentar e na prorrogação. Foi visível a "proteção"
do árbitro para o time anfitrião. Pelo menos, três faltas
ganharam os alemães sem motivo nenhum. Enquanto isso, Rodriguez, Crespo
e Tevez foram alguns dos machucados da BrancoAnil que sofreram chutes e pontapés
e nada foi marcado.
Era de esperar. A Alemanha é a potência que sedia o Mundial,
a quase totalidade da torcida era tricolor e por isso mesmo foi muito mais arrepiante
e emocionada a evolução de nossos hermanos em campo. Difícil
assistir à disputa sem apelar para todos os credos, sem ter o coração
quase na mão, querendo o tempo todo desviar o olhar do gramado, pedindo
ao relógio que esgotasse o tempo ainda em nossa linda vitória
de 1 a zero.
Mesmo sendo menor a torcida azul e branco, fizemos o barulho necessário.
O imenso painel azul e branco estendido na arquibancada empolgou, impulsionou
os jogadores e torceu bravamente até o último segundo pela vitória
de sua impressionante seleção. Qualquer Nação há
de ter orgulho do time comandado pelo incansável Sorin.
Os alemães prepararam a vitória desde o início - mesmo
sem futebol à altura de nossos vizinhos, em nenhum momento do jogo. Ao
atingirem sem piedade o incomparável goleiro Abbondanzzieri, feriram
n'alma o time argentino, tal como foi feito no ano em que tiraram Maradona da
disputa e o time não conseguiu ultrapassar as oitavas, mesmo com o futebol
aguerrido de sempre e a inarredável decisão de ir buscar a Vitória,
custe o que custar. O árbitro excedeu também ao conceder tantos
cartões amarelos ao time do meu coração. Chegou a dar três
para o querido capitão Sorin, assim garantindo ao craque ficar fora da
próxima disputa, caso houvesse.
Dependesse de bola no pé, sabemos todos: a Argentina não
estaria fora de nenhum campeonato mundial. No jogo com a Alemanha, foi superior
em campo o tempo inteiro, quem há de negar ?
Meu coração azul e branco com seu iluminado sol a chamejar calor
e cintilar invejável garra, brilho, disposição e força
invejáveis, está triste. À sua tristeza, soma-se a de uma
legião de torcedores cujo sangue a correr nas veias hoje é mais
azul e branco que ontem. Mas nuestr'alma sabe da superioridade platina e vibra
com nossos jogadores hermanos, tantos deles tão conhecidos de todos nós
pois repetidas vezes estão em campo a defender times brasileiros, como
Tevez, Sorin, Mascheranno, Sebah...
A seleção argentina é tão próxima a
nós brasileiros que se fôssemos menos comandados pela mídia
idiotizante que teima em criar uma disputa entre países irmãos
que simplesmente inexiste - basta olhar o quão são adorados
no país vizinho artistas brasileiros como Vinícius de Moraes,
Chico Buarque, Toquinho, Paralamas do Sucesso, Xuxa; e até jogadores
como Pelé, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho -, estaríamos
todos agora, juntos, a aplaudir o bravíssimo escrete comandado por Pekermann
e que jogou sem medo, jamais na defesa, atacando sempre sem temor de supostas
superioridades.
Meu mais efusivo aplauso para o glorioso time capitaneado por Sorin e que
tem em cada um de seus aguerridos jogadores um apaixonado pela defesa de sua
cidadania pátria, através do transparente amor pela camisa azul
e branca, na qual um dia havemos de esbanjar nossas 3, 4 e até 5 estrelas...
Pensando bem: diante da garra argentina, emblema dos jogadores e da torcida,
as estrelas pouco importam. Vale mais entrar em campo sempre angariando
olhares atentos de todas as partes do mundo, causando medo ao adversário,
dispostos a ganar, sem apelar para artifícios desleais e sendo
sempre SUPERIORES em campo.
Um Viva caloroso ao bravo time onde Ayalla marcou bonito o gol decisivo
(não tivesse a alma do time sido contundida propositadamente - e reparem
que o locutor de alguma emissora ainda duvidava do machucado em Abbondanzziere),
onde Max Rodriguez é ameaça constante, onde Riquelme arma as mais
lindas jogadas, onde Crespo é pura atenção e onde Tevez
é muito de Brasil em campo e fora dele: é Corinthians, e é,
acima de tudo, um jogador para fazer bonito em qualquer disputa.
Como diria São Vininha:
Saravá, Hermanos Argentinos ! Que venham outras partidas e nós,
irmanados na mesma garra que não esmorece, cujo símbolo maior
é CHE - ícone da almejada união em LatinoAmérica;
jovem médico argentino que fez da Ternura sua bandeira mais vibrante;
- estaremos a acompanhar os dribles geniais de artilheiros como Ortega, Veron,
Redondo, Tevez, Batistuta, e tantos tantos mais, com a mesma disposição
e euforia tão própria dos patrícios de Borges, Mercedes
Soza e Piazzolla.
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