A Garganta da Serpente
ajuda
 
 
  versão para impressãorecomende esta página
Athos Ronaldo Miralha da Cunha saiba mais sobre o autor

Os bichos e o terceiro mandato
(Athos Ronaldo Miralha da Cunha)

Os bichos reuniram-se em assembléia para discutir acerca do terceiro mandato do presidente da floresta. O leão e a coruja foram eleitos para formar a mesa condutora dos trabalhos.

O primeiro inscrito foi o sapo da barba preta. Falou como nos tempos de sindicalista e primeiro presidente dos sindicatos dos bichos trabalhadores da floresta. Fez um longo discurso e disse que era um absurdo, um atentado contra a democracia essa emenda constitucional e finalizou afirmando que não estava de bom humor: - querem rasgar a constituição!

O sapo da barba branca entrou no recinto sorrindo, distribuiu beijos e abraços e, também, opinou como o seu irmão mais moço, o sapo barbudo da barba preta. Era contra a emenda para o terceiro mandato. Mas a turma não acreditou muito. Não convenceu e todos achavam que no fundo, lá no fundo, ele era favorável.

O macaco velho falou... pulou de um lado para outro e não se definiu. Acabou em cima do muro. Aplaudia qualquer um por qualquer motivo. Uma raposa anciã também fez o estilo macaco velho. Enrolou, disse que sim, disse que não e ficou por isso mesmo.

O pato fez um discurso eloqüente em favor dos oprimidos e que o polvo era o seu principal devedor. E encerrou dizendo que seria favorável ao terceiro mandato se todos os bichos pagassem o pato e não apenas o polvo. O polvo ficou radiante com a intervenção.

A coruja, com toda a sua sabedoria, fez algumas indagações. Por que só o pato recebe e, apenas, o polvo paga? Todos deveriam pagar. Todos deveriam receber. De acordo com sua necessidade e de acordo com sua... - o leão interrompe e cochichou em seu ouvido. - Eu não quero saber se vai ter terceiro mandato ou não e quem paga quem. Eu vou continuar mordendo!!

O gato chegou de mansinho ficou na espreita e saiu na moita quando o corrupião entrou na sala da assembléia com uma mala preta e colocou em cima da mesa próxima ao leão.

Nesse momento a vaca resolveu ir embora e foi para o brejo.

O cordeiro não estava nem aí. Ele se adaptaria facilmente a qualquer modelo, mandato ou presidente seja ele com barba, sem barba, com bigode, bigodinho ou bigodão, colarinho engomado, com aquilo roxo ou rosa, topete ou seja lá o que for.

O tucano mineiro apareceu com uma estrela no peito e sofreu uma estrondosa vaia, mas foi o mais radical. Não quis conversa com ninguém e que se fosse aprovada a emenda maldita da re-reeleição ele proporia uma CPI exclusiva no senado.

De repente fez-se silêncio no recinto. Os bichos entreolharam-se. O molusco marinho havia chegado...

Dirigiu-se diretamente para o púlpito e começou o discurso. - Nunca na história dessa floresta...

140 visitas desde 20/06/2008

   
 

Os bichos e o terceiro mandato

A goleada

Obrigado, Pelé!

O mito aposentado

Cartão vermelho

Telhado novo

Por qué no te callas?

Um par de meias

As abotoaduras do Conde trabalho premiado

O penhor do Pinto Rosa

O terceiro mandato

Quem matou a Taís?

Congresso Unicameral

A canetinha rosa do guasca

As cotas e o conto de Maupassant

Que se vayan todos

O silêncio respeitoso

General Lamarca

Pobre Paris

Relaxa e goza

O coma

O secador

O aforismo de Marx

Afinal, quem é herói?

O cavanhaque de Maluf

O ex-gremista

Somos todos marxistas

O minguinho da loira de Laguna

Chuta desgraçado!


 

Copyright © 1999-2008 A Garganta da Serpente
Direitos reservados aos autores  •  Termos e condições  •  Fale Conosco www.gargantadaserpente.com