| Athos Ronaldo Miralha da Cunha |
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Obrigado, Pelé!
(Athos Ronaldo Miralha da Cunha)
A Lei Pelé provoca acaloradas discussões e muita controvérsia.
Os cronistas desportivos enchem colunas dissecando os malefícios causados
ao futebol e nos clubes brasileiros.
Hoje, a lei está transformada e foram amenizados os transtornos e retrocessos
do projeto inicial. Mas tem muito para ser modificada, principalmente, se levarmos
em conta o futebol como espetáculo e analisarmos a mediocridade dos últimos
campeonatos nacionais.
A evidente constatação é a de que nossos craques estão,
cada vez mais jovens, indo jogar nos gramados exteriores. Quando um menino desponta
em alguma categoria de base, os olhos dos dirigentes e empresários faíscam
com cifrões e piscam como máquinas registradoras. Há alguns
casos que os garotos nem chegam a atuar nos clubes do Brasil, são profissionalizados
no Velho Mundo. E isso é alarmante para um incauto e apaixonado torcedor.
Os gaúchos contam os inúmeros craques que poderiam, ainda, estar
jogando no Olímpico ou no Beira-Rio. Se os craques que deixaram a dupla
nos últimos seis ou sete anos retornassem aos campos do sul, Grêmio
e Internacional teriam excelentes e competitivos times. E isso se traduziria
em galera feliz, estádios lotados e ingressos mais acessíveis.
Mas quem se importa com a paixão do torcedor?
Dentre os vários casos de atletas que despontaram na dupla Gre-Nal, dois
exemplos são revoltantes. O primeiro foi o Ronaldinho Gaúcho que
deixou o Grêmio sem a devida contrapartida financeira, para não
dizer que foi uma doação involuntária protagonizada pelo
time da Azenha. Ironicamente, no instante em que o presidente havia colocado
a frase não vendemos craques no alto do estádio. O segundo, que
revolta os corações vermelhos, foi a prematura saída do
garoto Alexandre Pato. O Pato jogou meia dúzia de partidas pelo Internacional
e foi "exportado" para o Milan. Ganhou o Inter, ganhou o jogador,
ganhou muitíssimo o atravessador e perdeu o futebol gaúcho.
Em 1982, na Copa da Espanha, aquele memorável e inesquecível eclipse
de astros montado pelo Telê Santana, apenas o Falcão jogava no
exterior. Atualmente, essa proporção inverteu-se assustadoramente
e tenho dúvidas se em 2010 haverá algum jogador titular atuando
nos campos do Brasil.
Então, como um fanático torcedor do Internacional - e um moderado
torcedor do Gandense - toda vez que o Alexandre Pato faz um golaço na
Europa eu faço um especial agradecimento: Obrigado, Pelé!
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