| Athos Ronaldo Miralha da Cunha |
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Cartão vermelho
(Athos Ronaldo Miralha da Cunha)
Os cartões corporativos são o assunto do momento.
Mais uma malversação das verbas públicas a serem explicadas
pelos detentores dessas benesses federais. Mais uma CPI a ser criada e, provavelmente,
uma nova modalidade de pizza a ser servida à população.
A contabilidade é exorbitante. Vários extrapolaram nos gastos,
mas a ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro foi muito além
do tolerável e utilizou, no ano passado, cerca de R$ 171 mil em gastos
nada compreensíveis. Free shop e bares não são lugares
para o uso devido de um cartão corporativo.
Os cartões de crédito são uma das maravilhas que a tecnologia
nos oferece. Mas quem não fizer um uso parcimonioso do cartão
sentirá, no vencimento da fatura, o desfalque em sua conta bancária.
Quantas pessoas estão esgualepadas - como diria um ex-governador - financeiramente
pelo uso indiscriminado e compulsivo dessa comodidade?
Um cartão de crédito requer muito juízo e educação
financeira. O servidor que possui um cartão corporativo tem que ter ciência
de todos os quesitos éticos de sua utilização e sempre
ter em mente a seguinte pergunta: quem está pagando essa conta? Com a
devida resposta: o erário.
O uso indisciplinado e escandaloso de um cartão corporativo põe
em descrédito as pessoas que deveriam zelar pelo patrimônio público.
A bem da verdade, a frase zelar pelo patrimônio público
soa tão utópico nesses tempos de mensalão, dólar
na cueca, caixa dois, tráfico de influência e troca de favores,
que nada mais nos comove, importa ou indigna.
Hoje, são 11.510 servidores federais, gastando uma grana federal, com
o cartão corporativo a sua disposição. E o total de gastos
desses cartões corporativos foram, em 2007, na ordem de R$ 78 milhões.
Em outros tempos transformaríamos esse valor em casas populares ou em
salas de aula.
Os cartões corporativos não devem ser extintos e, sim, regrados.
Onze mil servidores com cartão, nem que não tenham usado um centavo
sequer, já é um número vergonhoso. Algo que extrapola o
razoável.
O que é o Bolsa-Família, senão um cartão corporativo
social? Existem regras para sua aquisição e uso. Cada família
gastará R$ 95,00 por mês. O cartão corporativo deve ter
o mesmo princípio. E uma norma: prestação de contas e limite.
Em síntese, transparência.
Ou, então, cartão vermelho para o cartão corporativo triturando-se
onze mil cartões. E acaba-se, em definitivo, com essa apoteótica
farra.
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