A Garganta da Serpente
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Athos Ronaldo Miralha da Cunha saiba mais sobre o autor

Por qué no te callas?
(Athos Ronaldo Miralha da Cunha)

Ao analisarmos a conjuntura mundial no que tange a ideologia e seus percalços no século XXI e enquadrarmos nosso pensamento entre direita e esquerda, não temos dúvidas, colocamos o presidente Hugo Chavez à esquerda desse espectro.

O presidente venezuelano é um líder polêmico e controverso. Mesmo quando olhamos com simpatia aquele estilo faca na bota de se contrapor ao imperialismo, ficamos com uma pulga atrás da orelha com a sua inabilidade diplomática. Suas atitudes chegam às raias da mal-criação. Hugo Chavez tem capacidade e uma necessidade de ser o centro das atenções.

O documentário A revolução não será televisionada nos mostra que a elite venezuelana tentou demover o presidente, mas em três dias Chavez voltou, triunfante, ao poder. E, a partir desse episódio em 2002, Hugo Chavez comprou algumas encrencas com vários líderes mundiais, culminando com uma pendenga com o Rei da Espanha. Juan Carlos deu um cala-te boca no comandante da revolução bolivariana. A frase Por qué no te callas? se popularizou mundo afora.

Esses deslizes diplomáticos de Chavez depõem, em muito, contra a sua empatia internacional. O velho Ulisses Guimarães dizia que todo homem público tem que compreender a liturgia do cargo e parece-me que o Chavez não entende. Perpassa um quê de criança mimada ou rebeldia de adolescente. Outro dia um colunista, de esquerda e republicano, pediu desculpas por ficar do lado do rei.

Nesse domingo, primeiro de dezembro, o povo da Venezuela votou NO no plebiscito que, dentre outros itens, permitiria a reeleição ad infinitum do presidente.

Nesse sentido o povo é sábio. A democracia da Venezuela resistirá e tanto lá, como cá, a esquerda deve buscar um candidato a presidente para dar seqüência e aprofundar as reformas populares. Se é que isso, ainda, é possível.

Quando nos expressarmos em relação a Chavez devemos adaptar o preceito de Pinheiro Machado: não devemos ser muito críticos a ponto de sermos taxados de reacionários e nem tão a favor a ponto de sermos considerados do esquerdismo inconseqüente e populista.

A propósito: achei justa a carraspana do rei.

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