| Athos Ronaldo Miralha da Cunha |
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Quem matou a Taís?
(Athos Ronaldo Miralha da Cunha)
Em 1978 os brasileiros vivenciaram uma grande aflição. E não
foi protagonizada pelo general presidente de então. E nem pela desclassificação
da seleção canarinho na Copa do Mundo da Argentina.
Se você naquela época tinha a idade que o Alexandre Pato tem hoje
deverá lembrar: Quem matou Salomão Ayala?
E o mistério era tanto que desconfiávamos até dos nossos
vizinhos. A novela O Astro monopolizou a audiência do horário
nobre da Rede Globo.
Uma década posterior e um novo enigma para o povo ocupar suas horas
de ócio diante da TV. O personagem de Dionísio Azevedo é
substituído pelo de Beatriz Segall.
Em 1989 o país parou para assistir a novela Vale Tudo e descobrir
quem havia matado a Odete Roitman.
Chico Mendes que fazia mais sucesso fora do país com a causa dos povos
da floresta também foi covardemente assassinado naquele período.
Naqueles tempos o Brasil discutiu muito a morte da personagem da novela e muito
pouco a morte de Chico Mendes. A morte de Odete Roitman era a preocupação
da população brasileira.
Recentemente, morreu a Taís. Morreu uma personagem no Paraíso
Tropical do nosso lazer noturno.
Mais um assassinato numa novela para promover nossas preocupações
de pacatos cidadãos.
Essa morte não causará comoção. Por um motivo muito
simples: a personagem é uma vigaristazinha desqualificada e não
tem sobrenome. Não é uma Ayala, uma Roitman.
No entanto, se Antenor Cavalcanti for assassinado, aí sim, o Brasil
pára. O cara é cheio da grana, mulherengo, calhorda e corrupto.
Essas coisas que tanto admiramos. Com essa morte esqueceremos os mensaleiros
a inoperância do Senado e até a possível absolvição
do Senador, Rei do Gado, em uma votação secreta.
Enfim, nunca na história desse país (sic) eu tive tanta certeza.
Quem matou a Taís foi alguém que fazia parte da base aliada do
governo. Desconfio do um ex-ministro e de um ex-líder na Câmara
Federal.
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