| Athos Ronaldo Miralha da Cunha |
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O silêncio respeitoso
(Athos Ronaldo Miralha da Cunha)
Em algumas circunstâncias as palavras são insuficientes para expressar
todo nosso sentimento. Principalmente em situações de perda ou
tragédia. Então, nos calamos. O silêncio é mais eloqüente.
O silêncio é mais reconfortante. E a simples presença é
fundamental.
Mas, também, em alguns momentos, pretensamente hilários, o silêncio
se faz necessário. Nos recentes capítulos da nossa tragicômica
e sensual novela política as expressões usadas foram deprimentes,
um atentado a nossa inteligência e a nossa paciência. Um descaso
com quem trabalha e precisar se deslocar de avião. Um desprezo inconseqüente
com os trabalhadores.
Relaxa e goza. Depois a gente esquece dos transtornos. Esse princípio
filosófico foi cunhado pela senhora Marta Suplicy, sexóloga e
atual ministra do Turismo, para ilustrar a longa espera nos aeroportos.
O ministro Guido Mantega também entrou de sola na jogada. Sendo mais
megalômano afirmou Não há caos aéreo. É
a prosperidade do país: mais gente viajando, mais aviões e mais
rotas. Tenho algumas dúvidas se o ministro estava se referindo ao
Brasil.
Gostaria de vê-los no check-in da Gol ou da Varig. Quanto tempo eles levariam
para relaxar e gozar?
Minha mãe dizia que em boca fechada não entra mosca. Não
vamos mandar o ministro calar a boca. E nem destituí-lo do cargo. Mas
deduzimos que o silêncio respeitoso seria muito mais sensato. E extremamente
mais generoso. Temos que ter em mente que juiz de futebol bom é aquele
que não aparece e ministro também, principalmente, se for da área
econômica.
Você tem duas maneiras de participar de uma reunião. A primeira:
você entra mudo e sai calado e as outras pessoas pensarão que você
poderá ser um idiota ou um imbecil. Incapaz de articular uma frase ou
um pensamento. A segunda: você abre a boca e acaba, imediatamente, com
essas incertezas. Escolha sua participação.
Nunca na história desse país (sic) o silêncio foi tão
desejado. Silêncio e mangas arregaçadas. Nós não
agüentamos mais essas elucubrações pseudofilosóficas,
fisiológicas, sexuais.
Senhoras e senhores. Façam silêncio, porque eu preciso jogar milho
aos pombos.
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