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O Iraque e o papel da Imprensa
(Arnaldo Sisson)

O único modo pelo qual as Nações Unidas tem de pegar o emprego de gestor/tutor dos destinos daquele povo, isto é, daquele petróleo, é a opinião pública mundial exigir isso. E é preciso considerar que o que está em jogo não são apenas os estantilhões de barris de petróleo, que afinal, pertencem a gente iraquiana. É muito mais do que isso.

Não conheço caso nenhum de ajuda humanitária em que boa parte dos víveres e mantimentos não tenham ido parar na mão de atravessadores. Essa onda, lá no Iraque, pode ser que funcione, mas apenas se a mídia não tirar os olhos de cima. E é sobre isso que gostaria de pensar um pouco.

Há pouco mais de cinqüenta anos, uma situação que não é igual, mas guarda similaridades, se apresentou. Uma nação, também democrática, acreditou que poderia dominar o mundo. E olhem o que aconteceu. Olhem para trás! A doutrina Bush é a mesma piada do "espaço vital" de Hitler, travestida em combate ao terrorismo. É a mesma coisa, mas agora os argumentos são de alta tecnologia e, não esqueçamos que, em última instância, são nucleares.

É como o passatempo de derrubar dominós. A destruição do Iraque pode ter um significado muito maior do que se imagina (tanto quanto a invasão da Polônia teve e ninguém enxergou). A Europa que, mais do que todos, precisa do combustível, não pode se permitir depender dos americanos para o fornecimento de energia. Não pode e não vai consentir num domínio americano. E, na visão canhestra dos estrategistas atuais, uma guerra total pode ter vencedor. Na minha modestíssima opinião, a escalada para a terceira grande besteira já começou e, com um conflito mundial organizado, todos perdem. A humanidade perde.

É preciso marcar de cima o que esses caras ( Bush, o inglês, etc...) que, afinal de contas, nós, povos de todas as nações democráticas colocamos no poder, vão fazer. A honra de nenhum país vale uma escalada guerreira que inevitavelmente acabará por proporcional o uso de armas de extermínio em massa. Não me refiro a armas químicas, falo de armas atômicas que não só matam na hora, aos milhões, mas envenenam a terra por centenas de anos.

É uma época para os que meios de comunicação afirmem a quê vieram.

Só uma opinião pública mundial muito bem informada pode impedir a barbárie que já está se armando. Nenhum poder hegemônico nunca, em toda a história da humanidade, deixou de tentar exercer, até as últimas conseqüências, todo o domínio de que se julgou capaz.

Teoricamente ao menos, nada pode por abaixo a rede mundial de informações. E se também é verdade que ela pode ser manipulada, nunca o será por completo. Evidente que confiar apenas na opinião pública americana é cometer o mesmo erro crasso que os intelectuais, daquela época, cometeram ao julgar que o Nazismo era apenas uma bobagem e nunca se instalaria e desenvolveria num país civilizado e culto como o era a Alemanha.

Enfim, dessa gigantesca porcaria que está se armando, pode sair coisa muito boa. Uma rede inominada de informações, apátrida por globalizada, tem condições de se formar e pode impedir o suicídio da espécie e, além disso, poderá nascer dela a possibilidade de que, finalmente, os melhor informados - em todos os sentidos que isso tem - assumam o controle da Aventura Humana.

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