| Arnaldo Massari |
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A Viúva e o Inelutável
(Arnaldo Massari)
Muito bonita, sob as tranças da juventude e pelos tracejados felizes
bem aparentes, tendo feito as suas regulares e antecipadas aberturas de praxe,
acercando-se dos quase trinta anos, resolvia fechar questão ao do casamento.
Começava a aperceber-se do etário temerário. Daquele que
institui, em nada contribui! Entretanto, apostava em suas cartas pelas fortes
razões das copas e dos paus.
Sempre sendo mais vista do que via, repentinamente, ascendeu-se na atenção.
O que esteve no despercebido, sem nenhum sentido, passava, então, a ser
objeto e objetivo. Delineado ficava o que bem queria: um guapo bem-sucedido,
hígido, no pertinho do grisalho. Aquele do olhar determinante e coadjuvante.
Bem provido e provedor às ansiedades feminis, provador emérito
de longa data. Enfim, com muita prática na temática variada. Seguro
de si, confiante e dominante. Apenas, como todos, naquela cegueira em que nem
binóculo faz enxergar.
Não demorou... As rolhas do champagne espocaram em conjunto com
as luzes das fotos. Um sonho realizava-se. Aquele véu, não muito
mandatário, porém, institucionalizava a vontade e a razão
para um comportamento bem diferente. Sossegado ao do então diverso -
o das proas e das popas às guinadas dos ventos e dos velames. No começo,
os resorts, o caviar, limousines, alta costura, mídia!
Verdadeiro desbunde...
Vivendo e acontecendo! A vida corre e escorre como um filete d'água.
Quase imperceptível. Rigorosa, nada harmoniosa. O calendário não
segura nem um pouco o cair das suas folhas. Recordares aos em céus de
ontem, nos chãos do hoje. Subseqüências que não sustentam
tão-somente os prazeres, os aconteceres amenos. Trazem, igualmente, as
sínteses de coisas outras. - Como são inúmeras!
De maneira muito diversa, perversa, às vezes, acontecem os desgastes
e os desgastantes. Sob todas as ordens, nomenclaturas, observações
e conteúdos. Em falados ou em fadados, cunho é que, relacionamento
a dois mais destempera do que contempla. É quando o compulsório
das aceitações mútuas se faz em conquista ao do dia seguinte.
Paciente vitória para os sábios do equilíbrio ao do prosseguir
sob o mesmo teto. No desfrute da mesma teta, do mesmo peito.
Apenas para constar, não tanto ao de preocupar ou assustar, há
casos nos matrimoniais em que uma terceira pessoa pode resolver. No sabido escondido,
ou em ostensivo partilhado! Nesse sintomático, o que não pode
haver é o egoísta. Fica ruim. Traz implicações outras...
Não obstante, formalizações e açodamentos, fora
à parte.
Voltando ao marido deste então, cheiroso e charmoso, envolvido nos negócios
até o pescoço. Ânsia ao que nada traz! Apenas ao bolso dos
herdeiros. Com mais presença naquelas reuniões dos errares em
democrático, ao do que no desfrute do abraço e da cama não
interesseira. Contumaz ausente do onde deveria estar presente, em efetivo! Mesmo
que ainda fosse sob uma necessária criatividade, algo parecido e despendido
no do negocista. Ainda assim, curiosamente, livre das rígidas protuberâncias
cranianas. Agraciado pelo simples cumprimento das juras daquele capcioso véu
do enlace. Avis rara...
O tempo segue rápido, resoluto, não clemente! Nem sequer avisa,
porque assim não precisa. Supressivo, é possessivo de destinos.
Cerimonial, nunca cerimonioso!
A verdade do feliz é transitória fantasia. Não segue em
igual sempre ao depois. É irregular de ímpares e de pares em uma
aritmética aleatória. Em intempestivo, traz os piripaques.
Não escolhe a idade, não ratifica qualquer vontade. Considera
os em não considerados.
Aquele Executivo não tão executante! Sim, e muito, mantenedor
das incontáveis vitrinas da feminilidade. Ardoroso negocista que, num
extemporâneo e repentino desavisado de alfaiataria, ganha um requintado
e vistoso paletó de madeira.
No ínterim daquele baixar à sepultura, em presencial e atraente
viuvez, aquele vulcão dispunha-se no temporário das próprias
lavas. No entremeio do funeral, discretamente, lá já estavam os
olhares ao recém-disponibilizado. Sedentos ao cedido. Diversos fitares
masculinos dissimulados, lânguidos de pesar momentâneo, ordinários
em essência. Construindo em mental, sem perda de tempo, uma voluptuosa
conciliação de prazeres. Aqueles irromperes aos caminhos novos,
nos dadivosos das viúvas frescas.
Na volta, em casa, desnudando-se do seu impecável vestido preto, o primeiro
comparecimento foi ao do espelho. Lá, via uma bela fêmea no pilar
dos seus recém-passados quarenta anos. Contudo, a famigerada decadência
corporal, em manso, no ranço, começava no seu de irreversível.
A expressão daquela então beleza não mais era a da tanta
certeza ao do masculino exigente - o refinado em bem-acostumado. Dava lugar
a muitas temerosas dúvidas e aflições. Olhava para as suas
coxas! Os seus peitos não mais eram aqueles parecidos com ganchos. Não
bastante haver em tamanho! A rigidez e o formato são determinantes! Merde!
Após a missa do sétimo dia, algo precisava ser feito! Uma vontade
imensa ao prazer desmedido e ao não tempo a perder aplacava-se em riste
de desagravo:
- Que o prezado descanse em paz!
Afinal, por que não escancarar dentro de quatro paredes, em duas ou quatro
portas? Ninguém sabendo, vendo, não haverá o deitar das
falas. O cuidado que o agora apresenta é bem outro: a quem, onde, quando?
Mostrar a coisa mais antiga e conhecida do mundo é sempre novidade para
quem ainda não viu. Entretanto, a curiosidade tem limites.
É preciso ter em mente que validade e vontade não se coadunam.
Não adianta somente querer exibir, dar. É preciso haver o conteúdo
e, não o combalido. As desistências podem ser frustrantes. Insurretas!
Vá que no passar do tempo ninguém queira!... Melhor agora, em
sussurros, em gemidos ou em urros - pouco importa - do que ter de mais tarde
apelar para o Turismo Sexual: pegando e pagando...
A juventude é um prêmio ultra-fugidiço. O adulto, quando
em conseqüente, é a gritante verificação. A velhice,
apenas, o pesado fardo do tudo que chegou sem muito avisar.
Sem os exultantes, um burlesco de corporal, mesmo que em réplicas de
súplicas, é encontrar o alguém para dar a cobertura. Os
samaritanos são raríssimos!
O sentimento do em perdendo, naquele justapor, é o arauto para todas
as apressadas decisões: os sorrisos à procura de imissões.
Realidade inelutável!
A viuvez, quando atípica, não reluz e não deduz a coisa
alguma de passado. O que manda é o latejar da inquieta libido. Um grande
e feroz sentido ao do tempo.
Espólio de sexual valioso, novos legatários! A vida é mesmo
assim: rasa, irreverente, simplista. Aos que não concordam, o bastar
da leitura de um sem-número de páginas viradas.
Quase sempre, os mimos dos cônjuges, mesmo que em deixados valiosos de
feitos e feitios, em pelúcias e em carinhos havidos, no definitivo de
uma ausência, turvam-se. As resplandecências daquele tão
dividido e solidário restam-se, às vezes, no relicário
de apenas longínquos e vagos valores.
O materialismo afoga o sentimentalismo. O corpo e a alma sempre foram inimigos
declarados...
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