| Arnaldo Massari |
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Azul, de longe...
(Arnaldo Massari)
Chegamos ao século XXII. Quantas coisas, poucas coisas!
Vemos prédios gigantescos, centenas de andares, cidades verticais, armadilhas
mortais aos terremotos e aos incêndios. Erguidos um a um nas disputas
e pelas auras da admiração. Nos incoerentes exibicionistas e nos
inconsistentes da vaidade. Os humanos continuam entendendo a tudo poder enfrentar
com os seus passos de tropeços.
Viajamos em trens velozes, moderníssimos, movidos à energia limpa,
num até que enfim conseguiram ver a incoerência das estradas com
milhões de automóveis. Do perigo do tráfego aéreo
cada vez mais denso para as curtas distâncias - imbecilidades do século
que passou.
Lemos e vemos no noticiário judeus e palestinos engalfinhando-se. Regularmente,
na troca de bombas sobre cabeças mútuas. Muitas preces às
alturas e pouco prezar a uma inteligente e necessária convivência.
Ademais, restando de implicado que, território dividido à revelia
e com minoria simples de votos - coisa meio que feita em cima da perna
-, nunca poderia trazer a paz!
Desfrutamos dos avanços notáveis da ciência médica.
Infelizmente, apenas, no de cuidar o físico dos corpos.
Barbaridades ao biológico! O Antrax e outros específicos
que as mentes mórbidas concebem e, ainda, em estocado ao respaldo, o
do nuclear em proporções globais.
Continua, como sempre foi, a coisa estéril e pernóstica que advêm
desde o antes e do atrás das Calendas Gregas: o do presunçoso!
Querendo parecer que se fez ao tamanho de uma permanente consciência etílica.
Triste existente, hilário de figuras que se dizem em gente.
O pedantismo perdulário, aquele que contesta os limites da razão
e peita uma realidade maior tão diversa, estendeu-se definitivamente
na credulidade da insensatez. A irresponsabilidade em profundidade ao do vazio
nunca esteve em tão raso.
Foi conseguido! As florestas viraram carvão - as planícies, pastos.
A fauna e a flora das expressivas gradações de cores, agora, apenas
em cromos. A botânica medicinal, em anotados ilustrativos. Derrubar árvores
- as poucas que restaram - tornou-se crime contra a Humanidade. Tardiamente!
Os exortares e as ações do Greenpeace ficaram, apenas, no bem-aventurado
das valorosas tentativas. São, agora, filosóficos em bibliográficos.
Governos e indivíduos inexpressivos, em comportamentos seguidos e inalterados,
assim construíram as prateleiras ao do guardar aquelas valiosíssimas
razões.
A água, racionada, é tão poluída que o melhor é
beber refrigerante. Não pela pureza e pelo saudável, mas para
disfarçar o gosto. Não é brincadeira o que quinze bilhões
de indivíduos produzem sem parar em líquidos e em pastosos.
De quando em vez, toureiros pagam pelos seus débitos. Do outro lado,
a creofagia! Ávidos maxilares mastigando carcaças de então
indefesos. Costume selvagem que advém das Cavernas. Em terra firme, mas,
não em tão assim, os japoneses continuam fabricando coisas úteis
e bugigangas inúteis. No mar, manchando os oceanos de sangue, sob um
irreverente e indecente proceder. A piedade não existe no idioma. Tampouco
no sentimento.
Em perguntados e em perguntarmos: Que qual realidade de horrível mundo
é esse, em que os animais são opacos objetos do dispor? Numa percepção
covarde, indigna, grosseira.
O Civilizado permanece como diamante. Quando aventado em pressuposto, é
assertiva rente e pretensiosa, bem ao molde inconseqüente do perene dos
reais. Em enfunado! - Dúvidas? Basta regredir ao passado e atentar no
presente, em acuradas observações. Toda essa realidade em relação
e princípio é ao tamanho exato daquelas não consciências.
O que existe, tão-somente, são preciosos de salvados. Em lúcidos
diferenciados. Verdadeiro destoar feliz do estado preponderante da barbaria.
O ao do sexo aventura deixou de ser o tão besteirento de escondidos.
As escrituras do bem-querer, aquelas que nunca se fizeram em bem lavradas, acabaram
de vez. A prostituição, que nunca foi ao pior de alguém,
apenas abertura de furor ou fechamento pela necessidade, não mais existe
no discriminatório. Escancarou-se em moeda de troca, na integralidade
do que sempre existiu. Saiu dos particulares velados das mais variadas telas
e molduras. Pelo total do desamor. Pelo grande do interesseiro. Tudo, agora,
por fim, está em bem-mostrados. O cinismo da integridade moral poetizou-se!
Contudo, ainda, remanescem alguns teimosos versejadores.
Os insucessos dos renitentes modelos de vida tornaram-se agravados. Coisas então
do sentimento puro, quase que adormecidas sob as ameaças e nos confrontos
que mais impõem do que brindam. São raríssimas de legados
em bem intencionados de gratuito.
Neste presente, qualquer pessoa pode alugar o seu par. No igual ou no diferente
do sexo e, nos preferenciais da sexualidade às taras e aos caprichos
do mesclar definidas emoções. Períodos não contam.
Sim, a satisfação. Esse determinante será pelo desfrute
ao do devotado, em qualquer hora, posição ou lugar, no isento
de compromissos. Quando dos calotes, continuam a existir as despedidas no tapa.
O desvestir, o curtir do alugado em feminino, funda-se primordialmente, valorizando
o estado de conservação do corpo em não muito de malhado
- novo, mas já cansado; naquele prevalente de um decadente prematuro.
No mais, a apresentação geral e a idade. Um rosto bonito pode
trazer algum diferencial. Contudo, curiosamente, a preferência é
muito mais solicitante ao encorajador estético de Raimunda. Sob um certo
antagônico e categórico preceito de formosura.
Deveras, quanto mais forem os tracejados exultantes ao do prazer, ao do tato
não decepcionante, mais elevado o remuneratório. A feiúra
da magreza em acanhado de eletrizantes, em mal provido de rotundos, é
o que se tem de mais em conta. Afinal, além do democrático às
escolhas, contempla os terríveis enganos de lívidos corpos. Assim,
sobremaneira, facilitando para aqueles que pouco podem pagar.
Ao do ereto masculino, aos que cobram menos e fazem mais. Entretanto, preferenciais,
também, aos que nada fazem - retribuindo em dobro o do pagamento.
Filhos tornaram-se personagens objeto de contratos. Dá para sentir-se
a evolução do esfacelamento familiar.
As grandes platéias continuam a não ter opinião própria.
São reconhecidamente seguidoras dos exemplos aleatoriamente jubilados.
Sejam eles comprovadamente válidos ou, definitivamente, sem valor, beleza,
zelo, conteúdo ou operante algum.
A inveja, assídua e perfeitamente assada, em pequenos enormes. No escondido
ou no atrevido, demonstrando o invariável da pequenez mental. As críticas
do despeito chegam pelo silêncio ou pelos berros. Reverberantes bem antigos...
Os preceitos bizarros, em coisa cômica e acreditada. O sentido à
lógica, teimosamente, segue franzindo-se, apesar do comprovado de não
haver tecnologia ou arrependimento que neutralize a burrice celebrada.
As disputas por espaços de trabalho enaltecem moderna e peculiar escravização.
Não há mais os açoites, mas os pernoites em longas filas
na expectativa de um emprego para, quem sabe, passar menos fome.
O significado do que é privacidade apenas restou-se em verbete de dicionário.
O Civil e o Econômico são enxovalhados pela curiosidade enfermiça
do atrevimento. Cada vez mais em ventas do que em vênias.
Existe uma nova classe de pessoas: os sem esperança! Hordas de indivíduos
que, já em rés de massacrados por um sistema injusto e fundamente
individualista, agora, pela aridez dos seus lugares de pobreza, nem do chão
podem mais dispor!
Os retirantes climáticos, em fantásticas multidões, estão
sendo explorados e escorraçados. Ratificando os clássicos ao do
interesseiro, ao do desdém, ao da omissão.
A tristeza tem acertado no endereço muito mais do que a alegria. Visitadora
regular, vagante sem cerimônia. Talvez em resultante dos tantos desmandos
acumulados pela corrida paranóica aos não edificantes.
Difícil é identificar as expressões verdadeiras, na multiplicidade
dos olhares e das contrações faciais. O dissimulado é ordem
e razão. Trazem corriqueiramente o complicador da não certeza.
A verdade desvalida e a mentira deslavada em cada vez de maiores contínuos.
O ao acreditar tornou-se um grande risco. Fato é que a inverdade, agora,
está devidamente caracterizada. A verdade, somente através dos
detectores. Ainda assim, em aparelhos não advindos do Paraguai.
As rezas! Nunca se rezou tanto... Não é para menos! Apesar do
entoar das preces, dos semânticos e dos cânticos à bondade,
o tamanho e o comportamento dos homens rigorosamente sobejam em igual. Após
missa e vigário, a crassa preguiça ao do solidário.
De través, o moderno Negócio da Fé, amorfo de tradição,
floresce e aquece gordas contas bancárias. Quem não fica multimilionário
com platéias diárias, em várias sessões, revezando-se
em doações? O de querer comprar quimeras nunca foi transgressão.
Apenas de um idiótico sem-par. Entrementes, sem de milagre, mas com um
certo de vinagre, os obreiros diminuíram e os sacos das doações
afilaram-se. Em conclusão, após muitas décadas, aqueles
que, em crendice, em idiotice e em pecado venial queriam subornar a Crença
Maior, viram-se em otários. Dinheiro é coisa terrena, não
celestial. A Grande Bondade jamais precisou de tesoureiros. Tampouco de intempestivos
ad-hocs.
Sem algum bem-posto varejo de sonhos, de ilusão, a realidade é
uma ameaça bem conhecida dos mercadores de volição. Assim
renovam-se com os inocentes da vez...
Continua acontecendo curiosa mágica. Inúmeras instituições
sem fins lucrativos seguem geometricamente aumentando o seu patrimônio.
O norte-americano continua a falar em milhões de dólares. O sul-americano,
em juros altos e sobressaltos. O europeu, junto com o judeu que está
em todo lugar, procurando expulsar os africanos e os muçulmanos. Um verdadeiro
frege.
Nas cores, tudo ficou mais vermelho. Menos a vergonha!
A Economia Mundial continua fortemente estruturada dentro de muros cada vez
mais altos. Dos seletos aproveitadores aos completos dos aproveitares. Naquele
nunca do contemplar ao bem-estar das coletividades, ao profícuo do trabalho,
a estabilidade do social. Remindo riqueza em números ilógicos,
cumprindo a todos eles, em crescente. Semper avarus eget - o avarento
sempre necessita (Horácio).
Milhões de crianças continuam descalças. Mesmo com os penetrais
da Ciência, pelo nada de consciência, o pão continua a ser
negado a multidões.
Nessa evolução involuntária, nesse sacrossanto dos viveres,
resta em inalterado o do pretensioso e o do arrogante. Aqueles agires e procederes,
frios, que mesmo em nada valendo, insistem ao do de augusto. Em pilares e em
Pilatus. Enfermidade ainda não devidamente identificada, lesão
mental que aflora quando o do poder e o da riqueza, o do mando chegam em dádivas
ou em arrestos às mãos desses tontos.
O preconceito, fatuidade escondida em fala e pujante no efeito, continua acreditando
em sangues não vermelhos. Nas placentas diferenciadas... É marca
registrada de complexos e reflexos de incontáveis arrepios. Em sórdida
pequenez. Dos poros aos porões. Coisa eterna. Aos advires e aos cumprires
de muitos séculos mais...
A grata grandeza dos justos enlaces, a realidade da vida verdade quando em iluminada,
a poesia e o encanto restaram-se em poucos de desdobrados requintes. Em restritos
e expressivos refinamentos. Dificílimos aos veres. Unicamente, em diminuto
no meio de um vasto que sempre esteve em regularmente perdido.
O do Humano pouco muda. É carente dos sentidos aos alcances da glória.
Mal vê dentro de si, quer enxergar à maior. Somente escuta, diz
ou faz o que lhe convém. Nada aprende, tudo sabe. Continua no rematado
e no elementar das tantas grandes lições. Na busca insistente
ao acabar-se em adiantado.
Esses fatos e esses atos são frutos e feitos de uma não fertilidade
à grandeza espiritual. Em jacas ou em pitangas, no grande ou no pequeno,
com as doçuras não imprimindo o menor rigor.
A busca por certa igualdade, por mais em subjetivo ao que seja, ainda, em
verdadeiro, é encontrada nos democráticos do sol, do ar, da chuva
e da morte. Todavia, com os seus riscos, excessos, faltas, padecimentos e, quiçá,
prazeres. Em advires de outrem, decerto e em seguro, nas invariáveis
parolices do formidável cinismo.
Apesar das todas vontades, das poucas sublimidades e dos muitos vazios, dos
pândegos acreditares absurdos, ninguém ultrapassou o do seu incerto
de idade. Chegaram em tempo e hora com as suas indefectíveis presenças.
Ao mesmo coletivo, sob um mesmo inesperado, ao tão igual das conhecidas
cenas finitas.
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