| Arnaldo Massari |
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A diferença está no colarinho
(Arnaldo Massari)
Nem tudo o que reluz é ouro, nem tudo o que balança cai - já
dizia o velho refrão. No entanto, faltou considerar que nem tudo o que
entra lá fica para fazer gosto ao justo.
É o caso da tão valorizada liberdade para os grandes ladrões.
Como deixar presos aqueles que meteram as mãos no bolso do Brasil? Como
os impedir ao fausto que o dinheiro proporciona e ao funesto que aos roubados
condiciona.
Punição, no Brasil, somente não é ilusão
para aqueles que não usam colarinho. Dizem que a Lei é para todos,
mas os gatunos do dinheiro público não são qualquer um
desses todos! Advogados caros e providentes no abrir de portas e o corporativismo
classista dão o acabamento necessário nesse frege imoral, mas,
infelizmente, tido e definido como procedimento legal.
O ao do fazer respeitar, necessita de imposições muito mais severas,
rígidas, sem senões. A coisa ruim já nasce pronta. Perfeitamente
cinzelada. Imutável!
A certeza da impunidade é que deixa todos os grandes ladrões à
vontade...
O ardiloso, quando descoberto, bem posto ao conhecimento com todas as letras,
apenas traz ao noticiário os pequenos tropeções nas avenidas
das trapaças. Um percentual débil. O público tem divulgada
tão-somente uma singela amostragem do como o país funciona.
No meio dessa iterativa devastação moral, muitos fraques, muitas
togas, colarinhos e cartolas. Nesse açodamento desmedido de mãos
ao bolso do contribuinte - já aviltado pelo porte da contribuição,
do imposto que não volta em rosto -, está a Sociedade, por inteira,
em patética contemplação.
Onde remanesceu, onde está o douto, a visão grandiosa, o erudito?
Precursores para um equilibrado estado de direito? Os tempos mudaram, o sociológico
evoluiu para o pior, e os pensares e agires não são mais os mesmos
da lisura de outrora. O brio à decência perdeu o seu brilho.
Como extirpar a podridão de consciência, já em apagada,
desbotada e acomodada no civil de uma civilidade que, temerariamente, se apresenta
em decadente? Na brevidade em que a vida é, no em curto que o decente
está, resta, sem dúvida, pouco de valioso por esperar. É
o esfacelamento moral. Coisa da carne e do cerne dos meio-homens. No em comum,
no crescente aos dos números maiores! Um horror!
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