| Arnaldo Massari |
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Um conto sem o desconto
(Arnaldo Massari)
O velho jargão nacionalista verde e amarelo bradava: o petróleo
é nosso!
Agora, um tanto quanto fora de moda, essa assertiva seguramente correria o risco
de uma indagação curiosa e totalmente cabível - pelo fato
de nunca ter havido a clareza necessária em apontar o legítimo
dono dessa riqueza incomensurável. Afinal, é da Petrobrás
ou do povo brasileiro? De quem teria vindo essa alocução peremptoriamente
afirmativa?
Em época magnânima, o povo naturalmente pensava que a tal afirmação
advinha do seu próprio meio. Pura ilusão, pois ele é apenas
o dono do seu tanque ou do seu bolso cada vez mais vazio.
Qual peculiar confeiteiro seria esse, de fazer um bolo somente para si, usando
a farinha dos outros?
Que um usineiro, em seu próprio solo, plante os seus tufos de cana e,
após, os esprema em conjunto com os consumidores do produto, até
dá para entender o tal procedimento estóico. O que não
entrou ainda em qualquer raciocínio lógico é o do óbvio
aterrador: mercadoria que encalha, não tem valor algum.
Pari passu, a Petrobrás com os seus preços globalizados
numa aritmética injusta, contestatória e incompreensível,
faz com que os legítimos donos da riqueza apenas escorreguem no óleo
dos seus enormes lucros e dividendos. O justo e o equânime não
apontam a Petrobrás, apenas, como uma prestadora técnica de serviços?
Quem ganha com as descobertas de novas jazidas e o crescente faturamento da
empresa? O povo, ou os acionistas da ala especulativa? Que raciocínio
mais ignóbil seria esse?
Riquezas de um país que não são revertidas sem sofismas
para o seu povo apenas beneficiam o átrio de empresas gananciosas, respaldadas
pelo plenário de políticas que não correspondem ao porquê
de lá estarem.
O povo brasileiro precisa, já em tardio, saber exigir veementemente os
seus dividendos sociais. Apearem, imediatamente, todos aqueles que, no controle
das riquezas e das rédeas do país, utilizam-nas em benesses de
trocas entre si, contemplando a Sociedade numa audaciosa inversão de
valores, como se esta fosse um bode expiatório, uma vaquinha de presépio.
É preciso consignar que quem não se dá o respeito jamais
será respeitado. Mesmo sendo dono da razão e do direito.
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