| Arnaldo Massari |
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Camisa de força
(Arnaldo Massari)
A perpetuidade da colossal dívida brasileira, construída ao longo
do tempo por políticas irresponsáveis, que pouco se importaram
pelo advir após os mandatos, apresenta-se a todos os brasileiros como
muralha ao desenvolvimento do país, trazendo todas as peias e perjúrios
sobre os ombros de quem não a contraiu, e, muito menos, foi o beneficiado;
mas, arcando desde o primeiro choro até a última vela, com os
efeitos usurpadores da inclemência, do indecente e extraordinário
passivo.
Dessa fábula de dinheiro, de que não se sentiu nem o cheiro,
esconde-se uma caixa preta de sucedidos que, talvez, nem Jesus Cristo
entenderia. Mas, o fato é que Ela aí está - fulgurante
e ativa, solapando seguidamente, geração a geração,
os mais elementares dividendos sociais.
Toda a classe política sabe, e muito bem, que o entrave maior do país
é a sua dívida. Que tal estar em torno de 1 trilhão e 500
bilhões de reais? Se fosse sendo paga ao invés de aumentada, seria
amortização para quantas e quantas gerações de pagantes?
Enaltecendo aqueles que já morreram, pagaram e nada tiveram ao seu crédito.
Essa dívida, como sempre foi administrada, é absolutamente
impagável, impondo uma eterna camisa de força ao desenvolvimento
do país e aos seus cidadãos.
O fato é absolutamente concreto à realidade das pessoas comuns
- a maioria - mas, totalmente abstrato na visão dos governantes; não
pelo mérito e a importância, mas, sim, talvez, como um caso perdido
ao sabor do que der e vier - do salve-se quem puder. Enxergar maior: há
grande interesse de muitos, muitos mesmo, para que nada mude.
O verberante da eterna falta de verba advém da Educação,
agora em apelo. Fala-se de um seminário com um rebuscado nome: Educação
e Investimento - Conversão da Dívida para o Desenvolvimento. Basicamente,
é uma pleiteada ajuda, um mini-perdão, uma pequena esmola para
um país tão rico que, sendo varrida das beiradas da dívida,
supra algumas carências na área da Educação.
O palavrório diz: - "para que países devedores possam
continuar honrando suas dívidas no futuro. Não haverá economia
sustentável nem garantia da manutenção dos contratos, se
a educação não estiver no centro da sustentabilidade (do
sustentável). Investimentos na educação e projetos para
a formação de professores."
Ora, para dar-se um calote, não haveria a necessidade do letrado. Um
calote analfabeto ou acadêmico não trará diferença
alguma - apenas endossará o balão.
Essas assertivas para encher texto de discurso, apesar de eloqüentes,
apenas significam um pelo amor de Deus. A redundância é por demais
conhecida dos credores. Estes sabem de tudo:- menos, até quando vai durar
a bestice dos povos endividados.
O entortar gravíssimo que a dívida impõe ao país
é ratificado pelo espírito do tal seminário. Busca a ajuda
de alguns milhões de dólares, que representariam as moedas de
pequeno valor da dívida em si.
Os únicos que poderiam desamarrar essa camisa de força seriam:
ou o Bocage, ou o Einstein; e não - pelos eternos excluídos do
bom senso!
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