| Arnaldo Massari |
  |
Verdades Ofídias
(Arnaldo Massari)
Não me venha falar em decência, se você é mais podre
do que eu. Somos farinha do mesmo saco, conhecemos o pulo do gato e,
no tocante a baixarias, somos jubilados.
A nossa consciência nunca existiu, abominamos a palavra e o sentido do
correto.
Vivemos um viver medíocre, mas bastante lucrativo; temos o semblante
estampado com a permanente ansiedade e a preventiva desconfiança. Somos
maus e aproveitadores. O nosso olhar é vago à grandiosidade e
incisivo à mediocridade. Desconhecemos por completo o senso da conveniência.
Não produzimos nada e consumimos tudo. Atrapalhamos, brigamos, berramos.
Fazemos teatro e circo, comédia e drama, novela e seriado. Sem seriedade,
sempre na vontade de nos beneficiar.
Não respeitamos ninguém, pois sequer existimos; do peso morto,
no absorto das muitas vozes vazias.
Somos bandoleiros, bandalheiros, sorrateiros. Assassinos do Direito,
do respeito, do bem-pôr.
A razão é só nossa e de mais ninguém. Dane-se o
alheio: em sofrimento, em angústia, em injustiça e na necessidade.
Não sabemos o que é a verdade do viver. Desvelos, menos ainda.
O vilipêndio é o nosso compêndio, a nossa resignação.
Consciência, nem pensar. Abdicar, menos ainda. Sempre tivemos do nosso
lado, a despeito do gritante, o apoio errado e errante, do ignorante e do benéfico.
Pode repetir tudo o que eu digo, pois bala trocada não dói. Como
colegas neste plenário, a plenitude dos isentos e das verdadeiras intenções,
jamais existiu. Não temos vergonha mesmo - objetivos ou razões;
senão, aquelas das muitas mentiras dos mascates da ilusão.
283 visitas desde 23/12/2005
|