A Garganta da Serpente
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Sinergia
(Arnaldo Massari)

No frege da política brasileira, na galeria dos renomes que aí estão - em ostentação e em ostensivo -, muitos desses quase nos mataram; e os outros, assim, não conseguiram, porque morreram antes.

Essas pérolas mandatárias - carreiristas políticos -, incrivelmente, como prefeitos e governadores, apesar de não conseguirem resolver os mais elementares problemas administrativos locais, bem debaixo dos respectivos narizes, com uma ordem de grandeza infinitamente menor do que as peias da Nação, e sob um histórico das muitas palavras e das pouquíssimas ações, ainda assim, deslavadamente, arvoram-se em candidatos à Presidência da República.

Invariavelmente, essas gestões imutáveis trazem como o único e o efetivo a criação de taxas, multas e impostos, como se o contribuinte fosse obrigado a cobrir os gastos da incompetência ou da falta de seriedade - em junto ou separado. Mesmo assim, com uma arrecadação voraz e desmedida, deixam seguidamente, para os seus sucessores, uma dívida cada vez mais amedrontadora e impeditiva ao país, ao estado ou ao município. Sob esse contínuo suceder é que está a estagnação do social - com os banqueiros nacionais e de praias outras, tendo um requintado tratamento natalino e carnavalesco.

As maiores vítimas desse descalabro, penitentes de todas as horas, são aqueles que enfrentam as filas da necessidade, mais antigas e mais longas do que a idade dos que lá se perfilam - os inculpados, os famintos, os enfermos e os idosos, que exibissem o que ganharam da política até aos dias de hoje.

Apesar dessa indigna e discrepante realidade, as falas conhecidas dos palanques continuam loquazes e, apesar de muitas dessas vozes já estarem mais para cemitério do que para ministério, invocam assanhadamente o Poder, esquecendo que o finito e o extemporâneo já batem palmas.

A grande indagação é a de que se vale alguma coisa dar-se o voto, ou substituí-lo por um potente sonífero. Sob o sono, essas figuras não prejudicariam tanto o país - assim mesmo, se não roncarem!

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