| Arnaldo Massari |
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Apetites sexuais
(Arnaldo Massari)
A árvore da sexualidade é uma planta trepadeira que cobre qualquer
parede de comparação e descobre todos os telhados do entendimento.
O rosto do gosto, sempre em silhueta, nunca em feição, abriga
o hétero, o bi e o homo em segredos e em platéias. Cria
fantasias e heresias, pelo torto e no direito, em nome da vontade, rasgando
a consciência da razão; pois sexo não tem nexo, e nem poderia
ter pelo fato de ser uma energia que pode polarizar com a força
e o imprevisível de um raio.
Na observância dos abismais das muitas individualidades, cada homem ou
mulher guarda a sua expertise preferencial, na busca de uma afinidade sexual
bem própria e definida ao seu mais íntimo. Há, no entanto,
variantes e, também, os gourmands do sexo, aqueles que mangent aux condiments.
Não considerando a apatia e o desbotado da frigidez, o calor que empurra
aos enlevos de uma relação íntima fortuita e sem histórico
não é refreado pelo recato apesar de inibidor - e, tampouco,
tolhido pela pragmática sociocultural. É determinado pela atividade
glandular que produz o combustível, calibrando a libido e, conseqüentemente,
a depender, instigando o fantasioso da imaginação: com visões
e procuras de tatos e desfrutes que vão do trivial ao bizarro.
Intrincada avaliação de cômicas considerações
ao agrado íntimo, a sexualidade potencializada vai buscar o grito ao
físico, na mais profunda chamada do psíquico. Detalhes corporais,
minúcias, cor, olhar, voz e mais um pouco de coisas mis, inexplicáveis
quiçá em plano, são avaliações determinantes
de escolha.
União duradoura é aquela valorizada pela felicidade, ratificada
pela fidelidade, que sob teto ou sobre teta, renova-se em gratuito ou construído,
enquanto houver bons tatos e bons fatos. Ao outro lado, para as relações
estabelecidas sob interesses vários, distantes de uma real afetividade
e, do caso entre idades muito discrepantes, notadamente, haverá a partilha
da gloriosa ou a do protuberante. Sob veementes contestações e,
até, na aquiescência do democrático modernismo.
Enfim, no pêndulo ou na balança das taras, manias, vícios,
caprichos e exotismos, o relacionamento sexual é um conteúdo para
romance de um sem-número de páginas desse tema tão antigo
que enleva e que releva mais incertezas do que credos, no vestido e no despojado.
É a vida bailando na curiosidade e buscando comparações,
sempre na procura do que nem tanto existe em resultado diverso.
Não é sabedoria masturbar a consciência. Entregar-se em
segredo ou escancaradamente às preferências sexuais, quer parecer
legítimo. Na maneira, no jeito e no gosto, por mais contraditório
que possa parecer aos outros. Afinal, a grande maioria não pratica sexo
no meio da rua!
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