| Almandrade |
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Entre a cultura e o mercado
(Almandrade)
"A insuficiência da estrutura de museus e galerias, por mais avançadas
que sejam, é hoje em dia flagrante e trai em muitos casos, o sentido
profundo, a intenção renovadora do artista", (Hélio
Oiticica) com o triunfo do mercado de arte, esta insuficiência que nos
fala Oiticica passou do estrutural, do físico para o cultural. Os espaços
destinados ao trânsito dos objetos de arte são sinalizados por
outros códigos que até desprezam a arte como um fazer mental.
O mundo dos patrocinadores, do público das vernissagens é dominado
pelo olhar do turista que viaja em busca de estereótipos, para uma rápida
relação de divertimento, de algo que agrade e alimente um status.
Um ambiente de amenidades, de rara descontração, solene, afasta
o público que poderia ter uma compreensão mais natural dos processos
simbólicos. O espaço social / cultural é restrito, contornado
pelo mundano. No que tange a circulação e divulgação,
a arte acabou sendo condenada às regras e aos mecanismos do mercado,
com seus espaços seletivos, cujos critérios se limitam aos da
sociedade de consumo. Muitas vezes vai-se a uma exposição por
um compromisso extra cultural, uma obrigação social. E do ponto
de vista do mercado a obra é apenas uma opção de investimento.
A arte trabalha o inconcebível a experiência sensorial recalcada
nas operações mercadológicas. Esta extravagância
de transformar um produto destinado ao pensar em fetiche cultural de um público
privilegiado economicamente, (sua condição de mercadoria levada
ao extremo), faz da arte por uns momentos, um produto descartável, fora
do valor de troca. É o mercado que financia a publicidade do trabalho,
paga a crítica e sustenta o artista numa sociedade dominada pelo capital,
neste caso não podemos negar sua importância. O ambiente do mercado
de arte, pouco fascinante para quem busca o essencial da cultura, afasta o pequeno
público mais ligado ao saber, sem dispor de poder aquisitivo indispensável
para o consumo de obras de arte. Mas nada impede a quem dispõe de um
mínimo de capital intelectual de ver uma exposição, a entrada
é franca, e com sentimento de "penetra" é possível
se apropriar através do olhar de um bem ou meio de conhecimento, a princípio
endereçado ao outro.
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