| Alberto Metello Neves |
  |
Crônica do dia
(Alberto Metello Neves)
É de causar espanto e indignação a esta brilhante sociedade
brasileira, o comportamento do Congresso Nacional, estribado em legislações,
no mínimo suspeitas.
Vamos ao caso amoral e imoral que tem granjeado o nosso poder legislativo, maculando
com todos os matizes, a real importância desse poder, ou seja, aquele
que legisla; faz as leis e que representa verdadeiramente os cidadãos
deste País, a quem foi outorgada uma procuração, para falar
em nome do povo. Bela UTOPIA.
Temos visto ultimamente, desde o episódio do ex-Deputado Roberto Jéferson,
quando este congressista apontou os "podres" de vários partidos
políticos e principalmente o partido do Governo, as manobras que aconteceram
para acobertar os colegas de partido e o próprio Presidente da República,
que com a minha modesta opinião, também deveria ser investigado.
O Brasil já está amadurecendo bastante politicamente nestes últimos
anos.
Ninguém vai acreditar e essa colocação,são "sonhos",
que o Presidente nada sabia das "maracutaias" que corriam em dependência
vizinha ao seu Gabinete, no Palácio do Planalto.
Vários deputados petistas recorreram ao STF, tentando anular a sua condenação,
pelo Conselho de Ética, que já tem os processos em mãos.
Felizmente, o STF negou a liminar, colocando-os de fato no banco dos réus,
que é o lugar onde já deveriam estar há muito tempo.
Porém, o que mais injuria a opinião pública, é a
faculdade que o deputado tem,de renunciar ao mandato, que lhe foi anteriormente
outorgado, para EVITAR a cassação. Aconteceu com o Severino Cavalcante,
Waldemar Costa Neto, José Borba, Paulo Rocha,etc, os que me lembro no
momento. Ora, isto é uma vergonha para as Instituições
e para o País.
Vamos procurar entender o processo: o parlamentar, seja deputado ou senador,
que é comprovadamente corrupto, formador de quadrilha, pratica com muita
naturalidade a lavagem de dinheiro, muitas vezes, como já tivemos caso
noticiado pela mídia, é assassino, aquele que contrata "matadores
de aluguel", ao RENUNCIAR o seu mandato, poderá se candidatar novamente
nas próximas eleições, não perdendo portanto, os
seus Direitos Políticos. Os que forem cassados, esses sim, por oito anos
não poderão se candidatar a quaisquer cargos eletivos. A incoerência
é tão grande, que mais parece uma bela charge.
O Presidente da República, e isso quem diz é a mídia,fez
uma reunião com os "cassáveis", sugerindo a eles que
renunciassem aos seus mandatos, para evitar a cassação, que nas
próximas eleições teriam todo o apoio do partido.
Ora, se o deputado, acusado por provas documentais em profusão hoje,
renunciar ao seu mandato que não foi respeitado, assim como todos aqueles
que o elegeram, é declarado culpado, quebrando assim o decoro parlamentar,
onde ficarão essas provas? Gaveta? Lixeira? Essa situação
esdrúxula nos leva a esse raciocínio, pois no próximo ano
esse mesmo cidadão estará praticando os mesmos atos em sua campanha
eleitoral.
Conclusão: a melhor saída democrática, se é que
isso que aí está se chama democracia, é a renúncia
e todo o trabalho das comissões parlamentares de inquéritos, são
transformados em autênticas pizzas. Neste mundo, nada se perde, tudo se
transforma, a máxima do francês Antoine Lavoisier, endossado pelo
Palácio do Planalto.
(17/10/2005)
136 visitas desde 15/05/2006
|