A Garganta da Serpente
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Apologia ao crime?
(Adhemar Molon)

Muitas pessoas lutam para se formarem, depois padecem para conseguir inscrição nas suas respectivas ordens ou conselhos para o exercício legal de suas atividades profissionais. Para tanto, passam fome, comem uma levíssima refeição por dia, durante seus anos de estudos dormem de três a quatro horas por noite e ainda trabalham dez a doze horas por dia.

Trabalham desde os oito anos de idade e continuam trabalhando ao longo de toda vida.

Procuram e conseguem, apesar de tantas dificuldades, andar dentro das leis, normas, usos e costumes da sociedade. E não param por aí.

Com muito esforço, dedicação, atingem seus mais altos objetivos de educação.

O saber é o propósito desses lutadores!

Enfim, não precisam, nem chamam pra si favores, compaixão, ajuda! Vão sozinhos e chegam sozinhos! Não propagandeiam seus feitos! Não se dizem heróis! São como milhares e quiçá milhões de brasileiros que buscam com garra e respeito às leis, o seu lugar ao sol!

Agora, vemos consternados os meios de comunicação, os governos locais e nacional, salvo raríssimas exceções que fazem a regra, fazerem apologia ao crime em toda sua extensão e conseqüências!

Por isso agora nos perguntamos: pra que tanto sacrifícios? Basta ser seqüestrador, assaltante, estuprador, etc, e pronto! Já se consegue ser e pertencer a um grupo de "rap", de "pagode", ganhando fama, principalmente pelo fato de ser composto de bandidos, e só atingem popularidade graças ao apoio de toda a mídia, que glorifica o crime. Ou então, a pior espécie de bandido condenado, de repente surge como um grande deus, um pastor evangélico! Por que não aparece simplesmente como um fiel e arrependido seguidor de Jesus?

Simplesmente porque isso é pouco pra ele. Ou vem logo lá por cima dominando como dominava ao tempo de banditismo ou nada feito!

Daqui a pouco, todos nossos meios artísticos, todas as seitas religiosas, toda nossa cultura que é pouca estarão falidos e dominados pelas organizações criminosas, se já não estão, em decorrência da covardia dos nossos políticos, nossos sindicatos, nossas associações e principalmente nossas fraquezas em consentir nessas aberrações e nessa prostituta apologia ao crime.

Ser bandido passou a ser ótimo!

Assim se consegue o apoio da anistia internacional, dos direitos humanos, da imprensa, do meio artístico, dos governantes e legisladores, pois muitos já são transgressores das leis penais. E o pior ,eles mesmos se julgam e se absolvem.

Assim se consegue o ingresso nas escolas, nas universidades, sem nenhum sacrifício! Basta ser bandido! As pessoas de bem se trancam nas cadeias de suas residências e os criminosos andam à solta! Eles estão mandando, ditando as regras!

Precisamos de um ditador para colocar as coisas nos seus devidos lugares?...

Está parecendo que sim!... Infelizmente!...

Que pena!

Democracia não é liberalidade pra tudo. Ela implica, principalmente em responsabilidade social. Não só para o cidadão comum, mas para todos! Quem infringir as regras da Democracia, deverá responder, pagar por isso!

Pequenos ou grandes, simplórios ou intelectuais, políticos ou não, modestos ou da alta sociedade!

É justo que os criminosos mereçam oportunidade de se reintegrarem à sociedade, que tenham escolas, mas exclusivamente dentro das cadeias; que tenham atividades artísticas mas unicamente dentro dos presídios; que sejam politizados, mas na sua reclusão; que aprendam uma profissão mas que o aprendizado ocorra dentro da prisão; tudo para avaliação de um Conselho Penitenciário! Que nada extrapole para além dos muros enquanto não se complete o cumprimento da pena. Quando estiverem prontos, que sejam libertados para a vida social! Assim é que deve ser para nossa segurança, para uma boa educação de nossos filhos!

Respeitem-se os direitos dos presidiários, porém exclusivamente dentro das prisões! Aqui fora, todos os direitos são nossos! Nossos para que saibamos que se infringirmos as leis pagaremos em igualdade de condições aos que lá, nas cadeias estejam confinados! Regras são regras! Jogo é jogo! Quem se arriscar que assuma! Quem não pode arcar com as conseqüências que não pratique o ato criminoso! É isso aí! Se não, mudemos as regras do jogo! Que ser honesto passe a ser crime! Ser bandido deverá ser privilégio dos gênios! Que bandidos sejam considerados mestres, donos de toda sabedoria, toda ciência, da política (se já não o são), e que tudo se volte aos interesses da criminalidade! Sejamos todos seqüestradores, estupradores, ladrões, estelionatários, torturadores, peculatários, enfim, bandidos, para que sejamos protegidos pela Constituição, pelas leis, usos e costumes e sejamos todos considerados os bons!

Acabemos de vez com o cidadão decente, honesto, trabalhador, estudioso, essa gente tão nocivas à sociedade e à democracia! Quem não for bandido deve ser extirpado, eliminado ou preso para que tenhamos a tão almejada paz!

Transformemos nossas escolas, colégios, universidades em escolas do crime que nos ensinem como seqüestrar, roubar, matar, etc, enganar o próximo, subtrair dos cofres públicos! Ah, aí sim, talvez tenhamos uma sociedade perfeita bem ao gosto dos defensores do banditismo, com escola para todos, a mídia aberta para todos, a premiação para todos, enfim, tudo pra todos os bandidos, até que entre eles mesmos surja a questão: Por que aquele bandido pode ser melhor e mais privilegiado do que eu que sou também um bom bandido?

Onde anda essa justiça de bandidos com julgadores e acusadores bandidos que tanto se apregoou? A continuar assim não quero mais ser criminoso! Porém, onde encontrar um cidadão honesto que apóie tal idéia? Onde?

Estes, os bons, os honestos, permitiram que se chegasse a isso, então que se danem, que se... Quando podiam não ousaram reagir, fizeram a apologia ao crime para parecerem bonzinhos, humanitários!

Em razão dessa corrupção generalizada, assistimos hoje, estarrecidos, a matança indiscriminada de nossos policiais e de civis inocentes, a queima de ônibus, explosão de bombas, tudo comandado de dentro e de fora dos presídios, gerando um verdadeiro caos nessa guerra civil, causando pânico à população.

E agora? Agora é tarde?

Muito tarde?

Não, não é tão tarde! Ainda é tempo!...

Pensemos! Pensemos! Pensemos e tratemos de reagir...

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