A Garganta da Serpente
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Ricardo Abad Sanchez
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Um Espírito chamado amor...

Meu amor tem que morrer,
Mas não vai ser um suicídio.
Ele não quer morrer...
Quer viver,
quer gritar...

Terá que ser um assassinato,
sob encomenda.
Um tiro, uma faca talvez...

Coloco meu amor á prova,
prá quem quiser tentar...
Como se fosse possível matar um amor...

A bala fica.
A faca fica.
A dor fica.
O amor fica.

Assim como nossos espíritos, é com o amor...
O corpo morre, o espírito vive...
O coração morre, o amor vive...

Um corpo, um espírito...
Um coração, um amor...
O espírito do coração... O amor...

Corpo morto, espírito vivo.
Coração dilacerado, desfribado, amor vivo.

 

 

Quando o combustível acaba...

Enquanto ela estava comigo,
o tanque permanecia pela metade...
Nunca esteve cheio, pq sempre ansiou por mais...

Mas vinha sendo o suficiente para que eu
me mantivesse ao menos com um sorriso no rosto.
Não era pleno, mas o suficiente para que o
motor não parasse.

Por vezes, baixava um pouco, mas logo
voltava à se encher até a metade.
Foram os dias mais felizes da minha vida,
apesar dos pesares e limitações.

E agora que ela se foi?
O tanque esvaziou, está na reserva.
O combustível têm sido as lembranças.

Na verdade, são muitas... Exageradas até...
Mas continuam não conseguindo alimentar
um motor tão potente e desregulado...

Um motor chamado coração...
Um combustível chamado amor...

Este velho e teimoso motor anseia
por mais combustível...
Um combustível que só funciona neste
motor... Pq este motor foi feito para esse
combustível...

Enquanto ele não vêm, vai vivendo de
lembranças e permanecendo na reserva...

 

 

Cirurgia no coração...

Quando o amor é recíproco, ele é bom...
Parece que estamos no paraíso (e estamos!),
e dali não queremos mais sair...
Mas e quando ele não é recíproco?

Se torna uma doença?
Algum médico seria capaz de curá-la?
Preciso de uma cirurgia!!!
Uma cirurgia não-física...

Exame disto, exame daquilo...
Endoscopias, Ultra-sonografias...
Porquê ainda não inventaram uma
ressonância magnética que detectasse
os males não-físicos do coração?

Especialistas disto, especialistas daquilo...
Otorrinolaringologistas, Ginecologistas, Proctologistas...
Porquê não há o "Amorlogista" ?

Remédios para isto, remédios para aquilo...
Analgésicos, Antibióticos, Vitaminas...
Porquê não há um remédio que cure essa doença?
Que acabe com essa dor?

Preciso me curar dessa doença! (Não queria!!!)
Ela dói e mata tanto quanto uma doença física.
O corpo permanece intacto, mas a alma
sofre e morre aos poucos...

 

 

Máscaras

Hoje é um dia macabro.
O céu ruiu sob minha cabeça
sem ao menos ter dado um aviso antes.
A terra parece querer me engolir,
e o mar me afogar.
Antes, eu tinha medo da morte
em todos os sentidos.
Depois, tive medo da morte
somente por causa da dor física.
Agora, já não tenho mais medo algum,
pq sei que dor nenhuma neste mundo
pode ser pior do que a dor que sinto
agora.
Nada mais faz sentido.
O ontem, o hoje, o amanhã.
Prá que?
Não, não vou me suicidar.
Seria prorrogar, adiar, um sofrimento.
Se tenho que vive-lo, vive-lo-ei.
É isso.
Usarei máscaras,
Muitas máscaras...

 

 

Saudades... Do futuro!?

(Poesia baseada e inspirada nas palavras de uma pessoa muito especial...)

Saudades...
Uns, tem da infância,
outros, de ex-namorados(as)...
Alguns da mãe, do pai...
Das histórinhas ao pé da cama,
E até dos bolinhos de chuva!

Das Barbies, dos carrinhos,
Ursos de pelúcia,
Do sonho de ser paquita(o)...
Do aconchego do colo dos pais,
E até das broncas e castigos!

Saudades de secar a louça prá mamãe,
Do sonho de ser um(a) estilista famoso(a),
Do grupo de jovens,
E até da Tia Tereza, minha 1ª professora!

Saudades, são tantas!

Não eu...
Será possível!?
Saudades... Do futuro!?

Tenho saudades do que ainda não vivi...
Do que está por vir!
Mas...
Será que virá?
E se não vir!?

Saudades da mão que não segurei,
Do lábio que não beijei,
Do corpo que não toquei,
Do amor que não fiz,
e que não vivi!

Afinal...
O passado se foi!
O futuro?
Está por vir!!!

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