inventei um deus / porque eu já não posso ser
sem saída
inventarei um deus / capaz de reverter processos como a vida
inverterei meu deus / e será ainda
tanto para não ser corrente
e restar apenas pele e brisa
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pode passar o frevo
hoje eu não chovo
me perdi do nervo
o caos toma forma
basta ser exposto
bastardo deposto:
a pira vira obra
a contragosto
impressionante é que conseguimos
nos abstrair do mundo exterior. venta, chove, um dia mais fabuloso e singular
que o outro acaba em nossa cidade e a gente totalmente desligado disso.
chuva é guarda-chuva, sol é sombra e suor, fim de tarde a
gente vai embora, e é só. agora se sabe: a consciência
humana é capaz de se desgarrar tanto assim do mundo do qual faz
parte, como tudo. e tudo é o chão, e deu, não vai
sair dali, que seja por mil ventos, por trezentos mil trovões, os
terremotos são turcos, assim como os vulcões são...
"mediterrâneos"... lonjuras assim, impossibilidades tais.
quando o cristianismo unificou todos
os deuses em um só, e decretou que lua, sol, estrelas, árvores,
rios, não são mais entidades divinas e conscientes, a ciência
humana explodiu. o astro-deus do passado, para o pensador, tornou-se um
objeto inerte: enorme e mísero pedaço de matéria.
astros são parte de um todo, e objetos de estudo da consciência
que o engoliu, triunfante. nesse todo a consciência humana é
a única que racionaliza e percebe que o astro cumpre uma trajetória
regular, por isso ela espalha o esquadro pelo escuro, e pensa.
a ciência já esteve muito
perto da natureza. os primeiros intelectuais ocidentais entendiam a terra
como uma entidade criadora, infinitamente capaz de se auto-renovar. pensa
bem: acreditavam que o tempo jamais interromperia o ciclo natural. esses
seres humanos -que habitaram o planeta no século XII- acreditavam
que o ser humano estava no centro da racionalidade da criação,
mas interagia com ela. por isso, TODO movimento seu, sua palavra, seu ofício
diário, o tédio aparente de todos os seus movimentos, toda
criação deste ser, enfim, era uma contribuição
à maravilhosa obra da criação divina. para esse pensadores,
deus existia, de fato. mas: não interferia em sua criação.
fez o mundo e foi-se. retirou-se. no máximo, é um espectador,
não o jogador pretendido pelas preces. deus está sentado,
e confia no ser. esses pensadores viviam num mundo estúpido:
Garganta da Serpente - uma boa frase para o decreto autoritário
condenando uma desgraça qualquer. aqui, a ciência mata.
séculos depois, outros pensadores
imaginaram a terra como uma máquina, uma engrenagem perfeita, a
Criação entre manivelas e roldanas simétricas e lisas.
o ser humano, e todos os seus movimentos obedeciam determinações
de um relógio infalível de ponteiros vastos, que mediam todo
espasmo da existência: quedas, coitos, fugas. ALGUÉM ARRANCOU
A RAIZ DO CHÃO. não bastou ao homem sentir-se superior, centro
da criação - ao contrário, fomos capazes de dois movimentos
suicidas: decretamos a falência de toda teologia que nos alçava
a papéis redentores no -agora- absurdo total da "ordem natural das
coisas" e nos definimos como seres libertos da terra, para o bem
e principalmente, fundamentalmente, para o mal das coisas todas, em nós
e em nossa volta.
eu em algo
não aqui
mas não posso estar solto
"na sala, na mesa, no prédio,
no prédio e na rua
e na rua as pessoas e as roupas de todas as pessoas
e os detalhes das roupas de todas as pessoas dentro de todos os carros
que passam
os caminhos de todos os carros que passam, as pessoas todas que vão
estar lá
e nos caminhos outros dos carros
os assuntos e os desdobramentos dos assuntos juntos daquelas pessoa
e fazia sol lá fora quando entrei, e que tempo faz nesse exato
momento
em que é impossível saber, o que prejudica toda a formulação
anterior
pois a maior parte é a paisagem, que eu não percebo,
e experimento
e cada pequena cena ocorre num outro tempo,
luz, nuvem, vento, sol forte,
as pessoas entre duas ruas e todas as estações virando
e virando..."
TZZZ TZZZ TZZZ ZIPTRSSG ZIPTRSSG IIÍÍÍÍÍÍÍNNNNNG
- A SAIA DO DIA CONTINUA!!!!
o meu nome eu não entendo...
O SEU ESFORÇO É LOUVÁVEL... MAS..
fumobala no dia: não recomendo.
(13-12-99)
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