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Modal
Cavalgaria para o outro lado de Inês Mota,
mas afastaria a sede de vencer os domínios do íntimo.
Guardião de fachada obrigatória,
sem fachada não poderia se deter, e se modificar, quando a hora dos cismos
se tornarem inevitáveis.
Benevolente, beija o crucifixo colado ao suor do corpo e limpa a boca com a
mão cerrada.
Acha repulsivo os simbolismos que figuram o senhor como matéria.
Avaliaria os erros caducantes do permanente,
e exaurido, pelos ganchos poéticos dos momentos helenísticos,
baniria a relação entre o fato de ser um mártir pós
adolescente e o possuidor manejo irrepreensível de cenas completas de
morte e renascimento do desejo - que passam em sua aura acidental como feixes
de perfídia, como bem apregoado por cartilhas esotéricas.
Velaria a ingenuidade sem conflitos maiores, ou apreciáveis, não
duvida disso,
mas se perdesse a vez e a fala no campo marginal do exercício de envolver,
cada vez menos retrocederia em termos de conduta,
e velaria a maturidade antes mesmo que o humano lhe categorizasse "completo".
Foi assim quando despertou asa e berro nesta manhã de saldos inesperados,
e será assim quando navegar corpos e bodegas - Deus matéria e
Deus etéreo, olhai por nós.
Mentirá a respeito do maior, do soberano,
de sua timidez mórbida.
Aliás, quando se horizontaliza, é mentor e Bolero lover,
e quando se espreguiça e arruma a calça de moletom invasiva,
e mesmo quando exercita a volúpia e acoberta ereções indecorosas,
ruboriza a face barbada, torce o nariz para a imagem de Inês Mota e abre
uma caixa de chocolates finos:
Seus pensamentos não são tão insalubres e crípticos
como a maquinaria literária que narra seus intentos cotidianos.
Aliás, ele amarra muito bem os raciocínios circulares.
Mas não deveria.
É uma gafe quando queremos nos passar por coitados,
e ganhar o amor e a confiança em troca de um produto bem caro:
a pena.
Ah, ter pena é modal,
e coisa dos desatentos!
Sonho vinte e um
Um despeito, um pombo correio, um tiro na testa...
Sonho vinte e um:
de século e de vanguarda.
Um prato feito de gado de corte
no canto do prato é canto,
já feito de gente que foge,
de medo,
de tiro na testa, das nove badaladas, das três novelas...
Sonho vinte e um:
de século e de engenhocas frustradas.
Um jornal nasce pela manhã e estampa: fulana casou, ela estava grávida;
jogaram bomba no mar, gente morreu.
Mas gente nasce muito,
e o jornal não acompanha não.
O céu acompanha nascimento por nascimento,
igualzinho a terra acompanhando semente que vai e revive,
enverga e tomba.
Ah, quem se importa já meteu a mão no pote de doce quando criança,
cheirou rapé com o avô e debulhou milho com olho de quem bebe leite
na teta.
Um jeito diferente de escola, escola de mente argüida por mente criada
por mente que mente,
mente com cheiro de gaveta de tia.
Mentiu,
para não dizer que proibiu.
De saber que,
sonho vinte e um é:
novidade da probabilística,
ou uma concessão a cada semana.
Um sucesso ultrapassado é um velho sentado,
ou lê-se: "damas".
Um sonho numerado é pastiche declarado,
é infame.
Mas o resultado das concessões é prolixo como o permissionário:
Sonha contando para não ocupar as mãos com a carne que nunca
chega na hora marcada.
Autonomia e semiótica
Meu acerto tem calibre.
É obrigação de baixo exercício,
é felicidade de gato em jardim de faz de conta,
é vento de outono em cabelo acastanhado,
mas é o alarme das soluções imediatas.
O consultor do eternamente adiou os compromissos com a exaustão,
e somente hoje,
voltou-se para o enrijecido tronco da foragida e,
com o pesar e olheiras de quem patenteou uma terra
hoje assolada pelos coprofágicos desatinos de sua prole,
estendeu o prazo do conter-se em mais sete dias -
reproduzindo este prazo sagrado, dado que a natureza dos fatos nos permite concluir,
se criacionistas soarmos, que de algum prazo os homens ainda se sustentam.
Meu acerto tem agora sete dias.
É assediado como o crepúsculo - reduto dos enfermos e amantes.
é novidade e é contramão -
percebe-se aqui como a riqueza de preciosismo faz o anfitrião desvincular-se
da moda.
Então é antiquado,
é risca de giz,
é capricho - mas querendo ser vanguarda.
É falta de notar-se enraizado
na cultura dos autônomos.
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