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Gulletos, ó amante irremediável!
Inescrupulosa masoquista ,
Arrancarei de ti os mais loucos gritos,
Tendo tua fronte como alvo.
No teu rosto jaz estampado
O esboço da satisfação, enquanto morres em vão,
Entrelaçada em meus braços...
Rainha dos escárnios!!
Como consegues,
Em tua mais pura inocência arrancares do meu peito
Toda a arrogância e incoerência?
Tu que transmutas e refletes tudo
Naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minh'alma contida
Te dão espaço, amada amiga,
Todo sofrimento e desventuras,
As mortes e amarguras, de nada significam
Quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo assim sincera,
Por teres a beleza inspiradora
Da mais adorada Deusa, a ti, minha amada,
Me entrego agora...
E não me envergonho então
No mais ébrio céu de outono
A fazer-te declarações de amor
E dizer-te que: te amo!
Deitado em brumas sutis de fúnebre descendência,
Neste dia de melancolia inata
Quero deitar-me, envolvendo-me a esmo
Em clandestinas volúpias...
Adentre, nobre amiga, aconchegue-se a meu lado.
Brindemos à desgraça e o desgosto,
Loucos e indomáveis companheiros.
Celebremos a tristeza, algoz doentia
Da nossa interminável vida.
Vamos...
Não tenha pressa...
A morte nunca tarda,
Esperemos por ela.
Baudelaire, tu que foste o mestre dos malditos,
Pai dos pobres arredios, que, entorpecidos pela desgraça,
Te mendigavam uma palavra.
Peço que nos guie por este mundo indiferente aos sofrimentos
E tenhas consciência, porta-voz dos infernos, que nós,
Pobres e enfermos,
Continuamos a cultivar tuas flores.
Engolfado, mas ainda austero e sossegado
Continuo a amá-la.
E, adorando sua moribunda forma
Acendo velas policromas,
Enquanto a verbena em brumas sutis voa.
Quando, na guarida refugiar-me - fina chuva,
Sua fugaz imagem me virá aguda
E cairei de joelhos a teus pés...
Não suportando as dores latentes
Cravar-lhe-ei meus afiados dentes
Transformando-a naquilo que me sei...
Forrarei seu báratro com linho e
A mais pura seda,
Para que se escondas do sol medonho,
Faremos juras, seremos enfadonhos,
E em todas as igrejas penetraremos e lá
Lascivamente profanaremos tornando-nos,
Com a benção dos infernos
Marido e mulher.
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