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Pudesse
Pudesse soltar-me
E então libertar-me
de tua vontade
Pudesse eu voar
Transpor pelo ar
Toda a ansiedade...
Mas sou tua escrava
Cativa de ti
Não posso evitar
O tempo escapa
a me consumir
De tanto te amar...
Agora é tarde
A paixão que me arde
Não quer se apagar
E eu vou pela vida
Cuidando a ferida
Pra não mais sangrar.
Pudesse reter
O sonho e o querer
Em tudo que sei
Pegava o tempo
Retinha o momento
em que me apaixonei!
Mais uma vez
Mais uma vez
Poder te abraçar
Poder te levar
De carona pra lua
Mais uma vez
Poder viajar
Contigo sonhar
Entregue e nua
E no espaço aberto
Teu vulto encoberto
É só esplendor...
Na luz imprecisa
Que o céu improvisa
Nós somos amor...
Mais uma vez
o encontro de nós
Os corpos a sós
Fremente paixão
Mais uma vez
O encanto da vida
Só traz alegria
No meu coração
Refletindo...
A penumbra sutil da esperança
Viçosa, enfeita nossa vida
Penetrando nosso espírito, levemente...
Cobre nosso olhar, o manto da lembrança
Aquecendo a "ilusão"entorpecida
Num desafio irreal e displicente...
Tão rara a ilusão verdadeira
Paira doce e farta, em nossos devaneios
E se perde frente a realização...
Teu vulto é a incerteza derradeira
Abrigo protetor de vãos receios
Templo abençoado de paixão.
O Homem, por tendência natural
À tudo ama, à tudo se apega
Surpreendendo toda a criação...
Espécie estranha... um tanto original
Que muitas vezes renega
A força intensa de sua paixão...
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