A Garganta da Serpente
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Poison
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Mulher oculta

Onde me esperas tu, deusa oculta?
Onde me amas tu , sedenta
Porque não te encontro, bela musa
E porque estás dentro de mim, reclusa?

Vivi sob a luz do teu sorriso
E tantas vezes o quis pra mim
Se não quis ouvir, o contra-aviso
Agora luto por ele, em frenesim...

E porque te desejo tanto
Se vens e vais como o vento
Se te vais me desencanto
E se voltas me contento

Porque te amo e te odeio
Se me profanas a alma e o desejo
Se me enches de fogo e de anseio
De paixão ou de poesia meu anjo...

Ficarás pra sempre na minha lembrança
No papel ou dentro do peito
Nas lágrimas do chão e na esperança
De um dia seres minha, do teu jeito!

 

 

Tão perto

Tão perto do fogo,
Tão gostoso...
Apertos no estomago...
Tão perto do fogo...
Tão impiedoso...
Tão perto do fogo,
E ele não se apaga,
Tão perto do fogo...
Vem, me afaga...
Tão perto do fogo,
E não te alcanço...
Tão perto do fogo...
Sem um balanço...
Tão perto do fogo,
Vem, me aperta...
Tão longe de ti,
Tão perto de nada...

Tão perto de nada...
Dentro da angústia,
De alma lavada...
Tão cheia de nada...
Repleto de perfumes,
E nem assim te sinto...
Mas que fracos costumes,
Tão perto de nada...
Da poesia que pinto...
Tão longe de tudo,
Tão grande o amor...
De um palhaço mudo,
Que é chutado a rigor...
Tão perto de nada,
Inconstante até na dor...

Doce ilusão da cegueira do amor, que instante!
Em que te sonho, minha amante
Não porque que te amo imenso,
Mas por amar o que sinto e penso!

 

 

É bom, sempre bom...

Eu sei que não devo, mas quão pequeno sou
Para me cegar, para não ver a beleza
Do que me dás, do que te dou
Da felicidade ou da tristeza...
Não sei o que os deuses me deram
Sei que é bom, sempre bom até na dor
Porque a dor, são beijos que se detiveram...
Que me enviem agora os teus lábios, não cartas de amor
Que nunca pedi, que nunca escreveste...
Os teus lábios ou aquela noite...
Que façam repetir o amor bem feito
Aquele... -aquele que fizeste comigo...
Que acordado me faz sonhar contigo,
Com os teus gemidos, com o teu jeito...
E é bom, sempre bom, mesmo o gin que me entorpece
Que refaz o sonho deste amante perdido,
O aperto no peito que sempre aparece
Ou gelo que derrete no copo detido...

 

 

Será que longe, ouves a mesma canção?

Aquela em que te amo, que sempre cantarei
Alegremente, pra toda a gente
Em que te amo assim, perdidamente
No que por ti, me transformei...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela humilde, que me põe no teu coração...
Mostra-me como posso te amar,
Que trovão devo silenciar,
Que montanha devo erguer,
Que rimas te escrever...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela bonita, que me põe no teu coração...
Aquela que fala de saudade, amor e sentir
De saber amar, que não é fácil ou do vazio
De deixar amar, de nadar contra o rio
Aquela que ouves e te faz sorrir...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela profunda, que me põe no teu coração...
Que te sussurra para ligares pra mim
Que te dá uns arrepios bons...
Que te faz amar-me assim...
Que te faz sentir perfeita, mesmo nos tons...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela fácil, que me põe no teu coração...
Que te faz esquecer de ti própria
Que faz de todos, um dia perfeito
Que te faz olhar pra tudo de outro jeito
Que te faz sonhar, de noite ou de dia...
Que te faz sentir tão bem, tão amada
Em um dia perfeito, infinito
Em que foste feliz, acordada
Que torna tudo tão simples, tão bonito...
Será que longe, ouves a mesma canção?
Aquela alegre, que me põe no teu coração...
Aquela que te faz perder as chaves de casa
O chão, as palavras e a concentração
Perguntar onde estou agora...
Se te tenho no coração...
Depois de achar, depois de experimentar
O amor sobre as ondas do mar,
De noite se escapa, um suspiro
Um "ai", que te tiro...
E aquela canção, que longe estás a escutar
É súplica do teu coração, pra me amar...

 

 

Lembrar...

Tenho olhado tanto para estas imagens tuas
Que quase acredito que elas são reais
Tenho vivido tanto com estas imagens nuas
Que quase acredito que as imagens são tudo e nada mais
Lembrar de ti tranqüila, extasiada na chuva
Quando corri para o teu coração, doce uva
Para estar próximo, dentro de ti
E nós nos beijámos e amámos, aqui e ali...
Enquanto o céu e as estrelas te abraçavam
Como eu abraçava o teu medo, o teu amor...
Lembrar de ti, sorrindo, despreocupada pela noite
Tu foste grande, brilhante e mais macia que neve
Gritando pelo imaginário, gritando ao céu de leve
E tu finalmente achaste toda a coragem para ter,
Para deixar o amor acontecer...
Lembrar de ti caída nos meus braços...
E eu choro para a minha morte no teu coração
Choro tão delicado perdido no frio
Sempre tão perdido no escuro, na canção...
Lembrar das pingas de suor em ti, do rio
De como corria lento, do amor dele
E de como amando nos afogámos nele...
Lembrar de como é bom, como sorris
A sensação de que nunca vai terminar
De que estavas a ressuscitar,
Que és tudo que algum dia quis...
E esperar, e chorar, sobre o mar
É amar, viver, merecer e lembrar
Lembrar do que tens dentro de ti
E perdoar, se o teu coração parti,
O vazio, a angústia na barriga
O choro silencioso de quem te ama
Te deseja pra toda a vida
Por ti poemas de amor aclama...
Lembrar dos de mil beijos olhares
Do carinho que te dou sem pudor
Dos afagos e dos prazeres,
Lembrar de que é infinitamente, amor!
Que te amo muito, que me amas
Que temos a obrigação de estar unidos
Que nos merecemos até nas chamas
Da vida, pelo amor erguidos!

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